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O embaixador Celso Amorim, ex-ministro da Defesa em parte do governo de Dilma Rousseff, afirmou que a pasta não deve se envolver na organização das eleições e que as Forças Armadas não são especialistas em questões eleitorais para participar do pleito.

“O Ministério da Defesa não tem nada que falar sobre as eleições. As Forças Armadas, tradicionalmente, ajudaram na segurança pública, mas cada um tem a sua especialidade, cada um tem o seu conhecimento. Elas não têm que impor nada. É a mesma coisa que eu, como embaixador, chegar em uma igreja e dizer que eu vou realizar a missa, mas eu não sei nada sobre seminário, eu não sei nada daquilo. É um absurdo”, declarou Amorim.

O ex-chanceler disse ter “muito apreço pelos militares” e que mantém “bons amigos” nas Forças Armadas, mas que a defesa da soberania brasileira é a única função que cabe aos militares.

“Tenho muito respeito, acho que eles têm muita capacidade, mas eles não têm que opinar sobre o que não é deles. É como se o juiz do TSE fosse dizer para o coronel por onde ele tem que atirar. Eles têm o dever de nos defender, mas cada um tem seu poder constituído. No caso das eleições, o poder é o Judiciário, por meio do TSE”, afirmou.

Amorim, que completou 80 anos no início deste mês, lança pela editora Benvirá o livro “Laços de confiança”, sobre a relação do Brasil com os países da América do Sul, com análises país a país, e prepara ainda um livro de memórias, para novembro, intitulado “Uma visão de Brasil”. A obra será lançada pela editora Civilização Brasileira.

Questionado sobre a possibilidade de integrar um eventual governo Lula em 2023, o ex-chanceler disse que não negaria um convite do petista, mas que torce pelo surgimento de lideranças jovens na gestão federal.

“Honestamente, não tenho nenhuma missão. Na carreira que fiz, eu não posso ter mais do que eu tive. Costumo dizer que não vou negar. Isso pode parecer presunção, mas se o presidente Lula achar que eu tenho que ter uma salinha lá no fundo, que eu posso tomar um café com ele de vez em quando, eu ficaria contente. Se ele quiser outra coisa, vou considerar também. Agora, eu quero que os jovens assumam lugares no governo dele”, afirmou.

 

 

 


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