A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira redesenhou o cenário da disputa pelo governo de Minas Gerais ao apontar liderança consolidada do senador Cleitinho em todos os cenários testados de primeiro e segundo turno. O levantamento também mostrou fragilidade do governador Mateus Simões, nome apoiado pelo ex-governador Romeu Zema para a sucessão, que aparece apenas na quinta colocação no principal cenário estimulado.

No quadro mais amplo de primeiro turno, Cleitinho registra 30% das intenções de voto e lidera com folga. Em segundo aparece o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, com 14%. O senador Rodrigo Pacheco surge em terceiro, com 8%. Na sequência, Ben Mendes e Mateus Simões aparecem empatados com 4%, enquanto Maria da Consolação soma 3%. Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo marcam 2%.

A posição de Simões chama atenção por colocá-lo atrás de adversários com menor estrutura partidária e em situação de empate técnico com Ben Mendes. O desempenho ocorre em meio ao desgaste do grupo governista e à queda dos índices de aprovação associados a Zema.

O levantamento mostra que a aprovação do ex-governador caiu de 62% para 52% entre fevereiro de 2025 e abril de 2026, enquanto a desaprovação subiu de 30% para 41%. Já a avaliação negativa da gestão passou de 14% para 26%, reforçando ambiente mais desafiador para a candidatura governista.

Em eventual cenário sem Cleitinho, Kalil assume a liderança com 18%, seguido por Pacheco com 12%. Mesmo nesse quadro, Simões aparece com apenas 5%, atrás de Ben Mendes, que alcança 6%. O dado reforça que a dificuldade do atual governador persiste mesmo sem o principal líder das sondagens.

A pesquisa ouviu 1.482 eleitores em 69 municípios entre 22 e 26 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais. Outro dado relevante mostra que apenas 38% dos eleitores afirmam ter voto definitivo para governador, enquanto 60% admitem possibilidade de mudança, indicando cenário ainda aberto.

Nos cenários de segundo turno, Cleitinho mantém superioridade sobre todos os adversários. Contra Mateus Simões, aparece com 46%, enquanto o governador registra 13%. Trata-se da maior vantagem entre os confrontos simulados.

Diante de Rodrigo Pacheco, Cleitinho soma 43%, contra 23% do senador. Já contra Kalil, alcança seu melhor desempenho: 48%, enquanto o ex-prefeito marca 26%. Em todos os casos, o senador do Republicanos lidera com ampla distância.

A menor diferença de Cleitinho ocorre justamente frente a Pacheco, cenário observado por aliados do Planalto como sinal de competitividade do senador do PSB caso confirme candidatura.

Sem Cleitinho na disputa, os cenários mudam. Pacheco venceria Simões em eventual segundo turno por 30% a 17%. Já Kalil, embora esteja à frente de Pacheco em alguns cenários de primeiro turno, perderia para Simões por 28% a 18%.

Esse dado expõe comportamento distinto do eleitorado em diferentes fases da disputa. Também mostra que Simões preserva alguma competitividade em confrontos específicos, embora siga fragilizado no panorama geral.

Entre eleitores alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Simões também aparece melhor posicionado que Kalil em confronto direto, outro dado que desafia leituras lineares sobre o campo governista.

A indefinição sobre candidaturas é fator central. Pacheco segue tratado como nome preferencial de Lula para liderar palanque em Minas, mas não oficializou entrada na corrida. Sua ida ao PSB foi lida como movimento para preservar margem de decisão.

Cleitinho, por sua vez, mantém discurso ambíguo sobre disputar o governo, embora lidere todos os cenários testados. A postura amplia especulações sobre estratégias futuras e composição de chapa própria.

No campo da direita, a indefinição também alcança o PL. O partido discute testar candidatura própria com Flávio Roscoe e ainda não consolidou participação em eventual composição com Simões.

O pano de fundo desse cenário é um ambiente adverso para a continuidade do grupo de Zema. Segundo a pesquisa, 44% dos eleitores defendem mudança total na condução do estado. Apenas 13% apoiam continuidade integral, enquanto 38% preferem ajustes.

Além disso, 49% afirmam que Zema não merece eleger um sucessor, contra 42% que apoiam essa hipótese. O dado representa inversão em relação ao quadro de fevereiro de 2025 e reforça o desgaste político.

Na disputa ao Senado, a pesquisa também aponta liderança da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, com índices entre 17% e 19%. Ela aparece à frente de Aécio Neves, com 11%, e do senador Carlos Viana, com 10%.

Também figuram com desempenho competitivo Marcelo Aro e Domingos Sávio.

Em cenário sem Aécio, Marília aparece com 17%, tecnicamente empatada com Carlos Viana, que sobe para 15%. O quadro reforça disputa aberta também para as duas vagas ao Senado.

No conjunto, o levantamento sugere duas dinâmicas simultâneas: favoritismo claro de Cleitinho e enfraquecimento do projeto sucessório associado a Zema. Ao mesmo tempo, o alto número de indecisos e as candidaturas ainda não oficializadas indicam que o tabuleiro segue em movimento.

Se hoje Cleitinho lidera com folga e Simões enfrenta dificuldades, o comportamento volátil do eleitorado e a indefinição das alianças podem reconfigurar o cenário nos próximos meses. Ainda assim, os dados atuais colocam o senador do Republicanos como principal referência da disputa e expõem os desafios do grupo governista para evitar isolamento político em Minas Gerais.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado


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