A aprovação do governo de Romeu Zema apresentou recuo expressivo e a avaliação da gestão piorou, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira, indicando desgaste político em momento estratégico para o ex-governador, que busca ampliar presença no cenário nacional. O levantamento mostra queda da aprovação de 62% em fevereiro de 2025 para 52% em abril de 2026, enquanto a desaprovação subiu de 30% para 41%, consolidando tendência de perda de apoio.
O movimento é acompanhado por deterioração da avaliação qualitativa do governo. O percentual de eleitores que classificam a gestão como positiva caiu de 41% para 32% no período. Já a percepção negativa quase dobrou, passando de 14% para 26%, sinalizando piora no humor do eleitorado mineiro.
Os dados também revelam ambiente mais adverso para a continuidade do grupo político construído por Zema. Para 44% dos entrevistados, o próximo governador deve promover mudança total nos rumos da administração estadual. Apenas 13% defendem continuidade integral, enquanto 38% preferem ajustes pontuais no modelo atual.
No debate sucessório, a resistência aparece de forma mais direta. Segundo a pesquisa, 49% dos eleitores afirmam que Zema não merece eleger um sucessor, contra 42% que apoiam essa possibilidade. O resultado representa inversão em relação ao cenário medido em fevereiro do ano passado, quando predominava visão mais favorável à transferência de capital político.
O levantamento ouviu 1.482 eleitores em 69 municípios mineiros entre 22 e 26 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A piora nos indicadores ocorre paralelamente à ampliação da exposição nacional do ex-governador, impulsionada sobretudo por embates com o Supremo Tribunal Federal. O confronto com o ministro Gilmar Mendes gerou forte repercussão digital e se tornou o tema de maior alcance envolvendo Zema neste ano.
Segundo dados citados pela consultoria Bites, entre 20 e 23 de abril houve 406 mil menções envolvendo Zema e Gilmar, com mais de 4,1 milhões de interações em plataformas digitais. O volume superou outros episódios recentes relacionados ao ex-governador.
O impulso digital ocorreu após Gilmar encaminhar notícia-crime ao ministro Alexandre de Moraes pedindo investigação no inquérito das fake news, após publicação de vídeo satírico feito por Zema. O episódio ampliou a circulação do conteúdo e reforçou a estratégia do ex-governador de associar sua imagem a discursos de confronto institucional.
Nas redes sociais, o tema se mostrou central. Dos dez posts mais populares de Zema em 2026, sete tratam de críticas ao STF. Dois vídeos sobre o tema alcançaram centenas de milhares de curtidas e ampliaram a visibilidade do mineiro junto a segmentos da direita.
Apesar do ganho de engajamento, a pesquisa sugere que o desempenho digital ainda não se converteu em fortalecimento da avaliação do governo em Minas. Ao contrário, os indicadores mostram erosão em bases importantes do eleitorado e aumento das dúvidas sobre a capacidade de o grupo governista manter influência no estado.
O contraste entre projeção nacional e desgaste regional tende a impactar o cenário eleitoral mineiro. Isso porque o governador Mateus Simões, que assumiu após a saída de Zema para disputar a Presidência, busca viabilizar candidatura competitiva, mas enfrenta ambiente de maior resistência.
O levantamento reforça leitura de que o debate sobre sucessão em Minas não se resume à popularidade do ex-governador, mas envolve também desejo de mudança captado em parcela expressiva do eleitorado. Esse dado pode influenciar tanto a disputa estadual quanto a estratégia nacional de Zema.
Ao mesmo tempo, a aposta em confrontos com o Supremo aparece como eixo político e comunicacional do ex-governador para manter protagonismo. Resta saber se esse caminho ampliará competitividade eleitoral ou aprofundará o descompasso entre visibilidade digital e percepção do eleitor mineiro.
Com aprovação em queda, avaliação negativa em alta e maior resistência à continuidade de seu grupo político, o levantamento sugere que Zema entra em fase mais desafiadora. A combinação entre desgaste administrativo e aposta em projeção nacional redesenha o tabuleiro político mineiro às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

