O desempenho do comércio em 2023 indica crescimento acima do ano anterior, mesmo com a desaceleração das vendas no segundo semestre. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, as vendas registraram um aumento de 0,5% em setembro, aquém dos 1,4% esperados por analistas. Apesar de um segundo semestre mais moderado, o forte resultado do primeiro semestre assegura ao setor um desempenho positivo no acumulado do ano.

Igor Cadilhac, economista do PicPay, projeta um crescimento anual de 3% para o varejo, considerando uma dinâmica saudável no setor, mesmo com o desempenho abaixo do esperado em setembro. Rodolfo Margato, economista da XP Macro, estima um avanço de 4,5% nas vendas do varejo ampliado — que inclui automóveis e atacado de hipermercados —, superando o crescimento de 2,4% registrado em 2023.

Georgia Veloso, pesquisadora do FGV Ibre, observa uma recuperação mais sólida e contínua, especialmente em setores como artigos de uso pessoal e doméstico, que registraram alta de 3,5% no mês e acumulam oito meses de crescimento interanual. Este segmento, ao lado de artigos farmacêuticos e supermercados, que tiveram aumentos de 12,8% e 4,9%, respectivamente, impulsionam o setor em 2023. Segundo Veloso, esses itens essenciais ganham prioridade dos consumidores em um cenário de custo de vida elevado, o que tem sustentado a expansão do setor mesmo enquanto outros segmentos ainda buscam se recuperar.

Contudo, Veloso alerta que o setor pode enfrentar desafios em 2025 com a persistência da inflação e juros elevados, o que pode impactar o ritmo de crescimento e forçar ajustes de preços. “O sentimento de incerteza dos empresários em relação ao futuro tem aumentado, aproximando-se dos níveis observados na época da segunda onda de Covid-19,” aponta a pesquisadora, embora as condições atuais do mercado ainda sejam favoráveis.

Para 2023, Cadilhac destaca que o mercado de trabalho aquecido, a expansão da massa salarial e o crescimento do crédito ao consumidor continuam a sustentar o consumo das famílias, contrabalançando os efeitos das taxas de juros e a inflação elevada.

Tânia Rêgo/Agência Brasil

 


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