A Receita Federal anunciou nesta terça-feira, 3, que a Corregedoria do Ministério da Fazenda abrirá uma investigação para apurar um áudio que sugere um vazamento de dados sigilosos por parte da secretária-adjunta Adriana Gomes Rêgo.
Em nota, a Receita fez uma defesa prévia da servidora, afirmando que ela não participou das discussões relacionadas à reativação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), que havia sido desativado e cuja reativação foi ordenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O áudio que motivou a investigação envolve o CEO global da Dentsu Tracking, Philippe Castella, os lobistas Paulo Zottolo e o almirante Lesio Zampronio. Após uma reunião na Receita Federal, Zottolo teria mencionado que Adriana Rêgo vaza informações para seu marido, Paulo Ricardo de Souza Cardoso, ex-número dois da Receita, o que beneficiaria a empresa.
Zottolo confirmou a conversa, mas disse que era apenas uma suposição. Rêgo afirmou seguir estritamente a legislação, e Paulo Ricardo classificou as alegações como falsas. A Receita reforçou que todas as discussões ocorreram em audiências públicas gravadas, e o grupo de trabalho envolvido é autônomo, com conclusão prevista para dezembro de 2024.
A Receita também sugeriu que a secretária-adjunta use a Advocacia-Geral da União (AGU) para tomar medidas legais contra aqueles que fizeram as acusações, exigindo que provem suas alegações ou respondam judicialmente.
Embora a nota da Receita não mencione diretamente a Dentsu Tracking, faz críticas à Sicpa, empresa suíça envolvida em um escândalo de propina para manter o controle do Sicobe. A Receita também levantou suspeitas sobre o timing das reportagens, coincidindo com o julgamento do TCU sobre a reativação do sistema.
Com informações do Painel da Folha

