A CPI do Crime Organizado no Senado dará início às oitivas com governadores e secretários de Segurança Pública na primeira semana de dezembro, conforme anunciou nesta quarta-feira o presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato. Ao todo, vinte e duas autoridades de onze unidades da Federação foram convidadas, com requerimentos aprovados por unanimidade no início dos trabalhos. A ordem de comparecimento ainda será definida por Contarato em conjunto com o relator, senador Alessandro Vieira, que pretendem aprofundar o diagnóstico sobre a expansão das facções criminosas e o papel dos estados no enfrentamento à violência.
O debate sobre segurança pública ganhou nova intensidade após a megaoperação realizada no fim de outubro nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em cento e vinte e uma mortes e reacendeu a discussão nacional sobre estratégias de combate ao crime organizado. A própria criação da CPI ocorreu em meio às críticas à condução da operação e à pressão por respostas mais estruturadas diante da escalada da violência.
Na terça-feira, os governadores Cláudio Castro e Ronaldo Caiado estiveram em Brasília acompanhando, na Câmara dos Deputados, a tramitação do chamado “PL Antifacção”. A movimentação deles refletiu a preocupação dos estados com os rumos da proposta e com a necessidade de maior coordenação federativa.
Nas primeiras sessões, a CPI ouviu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que defendeu que organizações criminosas “não” sejam equiparadas ao terrorismo, e o diretor de Inteligência Penal da Secretaria Nacional de Políticas Penais, Antônio Glautter de Azevedo Morais. Durante os depoimentos, foram tratados temas como déficit carcerário, falta de padronização entre sistemas prisionais estaduais e a presença de estruturas internas que permitem às facções operar uma “justiça paralela”. Contarato classificou essa realidade como “inadmissível”, afirmando que “ordens criminosas muitas vezes circulam com mais rapidez que informações oficiais”.
Entre os governadores convidados para as próximas audiências estão Clécio Luís, Jerônimo Rodrigues, Raquel Lyra, Elmano de Freitas, Paulo Dantas, Jorginho Melo, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas, além de seus respectivos secretários de Segurança Pública. Contarato afirma que a fragmentação entre estados, cada um com métodos próprios, “favorece a articulação nacional das facções”.
A CPI seguirá ouvindo autoridades nas próximas semanas, com expectativa de formular propostas capazes de fortalecer a coordenação federativa e enfrentar a crescente expansão do crime organizado em todo o país.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

