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No mais novo capítulo da crise do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se manifestou a favor do ex-governador de São Paulo e pré-candidato à presidência da República. “Agiu bem o candidato João Doria.

Ressaltando que o resultado das prévias deve ser respeitado”, escreveu em seu perfil pessoal no Twitter.Horas mais tarde, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, respondeu ao tuíte. “Caro FHC, com todo respeito, em nenhum momento dos diálogos em busca da candidatura única da terceira via e desde quando ainda lá participava o União Brasil, as prévias do PSDB sempre foram acatadas: João Doria era o candidato do PSDB. O da unidade poderá ser ou não. Com admiração”, escreveu o cacique. O PSDB e o Cidadania firmaram uma Federação para as eleições deste ano.

Presidente da República por dois mandatos consecutivos, FHC é o tucano mais influente tanto no partido quanto para a opinião pública. O posicionamento do ex-presidente é um trunfo para a candidatura de Doria, dentro e fora do partido, mas as desavenças internas no PSDB parecem ser maiores do que o apelo feito pelo tucano.

As resistências a João Doria têm diversas razões. O deputado Aécio Neves (MG), um dos caciques do ninho tucano, nunca escondeu as ressalvas à candidatura do ex-governador paulista. Mas considera “ruim para o partido” retirar o nome de Doria apenas para apoiar Simone Tebet.

O ex-senador José Aníbal, parte da ala histórica do tucanato, afirmou em entrevista à CNN, ontem, que o posicionamento se reflete na maioria dos correligionários.

“Passado cinco meses das prévias, o Doria continua com nível de rejeição altíssimo, semelhante ao de Bolsonaro. Mas o Bolsonaro tem 36% da intenção de voto e ele (Doria) tem três. Quem tem três para vencer 60/62 não se sustenta. Começou então um movimento dentro do partido para candidatura única”, contou Anibal.

(…) O que o Aécio diz, e outros estão dizendo, é que esse movimento, no fundo, contempla a ideia de eventualmente não ter o Doria como candidato, mas a Simone Tebet. E não tendo o Doria como candidato, não vamos poder ter candidato. O Aécio se manifesta contrariamente a isso. Ele acha que não devemos deixar de ter candidato, e eu também penso assim”, disse o ex-senador.

Independentemente das divergências, Doria defende firmemente sua vitória nas prévias, que o credenciam a ser o nome do PSDB para a Presidência da República. Na carta enviada ao presidente da sigla, Bruno Araújo, Doria denuncia uma “tentativa de golpe”.

Segundo o paulista, critérios como má colocação nas pesquisas e altos índices de rejeição são “desculpas estapafúrdias”; e reclama também de “movimentações do presidente nacional que criam insegurança jurídica”. Doria ainda ameaça judicializar a questão caso a tentativa de golpe se estabeleça.

Para discutir o teor da carta e direcionar os rumos do posicionamento quanto à terceira via, Araújo, convocou uma reunião de emergência da Comissão Executiva Ampliada para amanhã, em Brasília. Na quarta-feira, a expectativa é de que PSDB, MDB e Cidadania anunciem o candidato único para o chamado centro democrático.

Rompimento

O comando nacional do PSDB ficou irritado com a iniciativa de Doria. A aliados, o presidente da legenda, Bruno Araújo, disse que a carta do paulista é um sinal de “quase rompimento” com o PSDB. Ao fazer críticas públicas à direção do PSDB, Doria “politicamente assume que não tem um partido” e que ele está entrando “em guerra” contra toda a Executiva tucana.

Dentro da cúpula tucana, a avaliação é de que uma candidatura presidencial de Doria, por sua rejeição no país, inviabiliza a candidatura do governador Rodrigo Garcia (PSDB-SP) e a chance de o partido permanecer à frente do estado mais rico do Brasil.

PSDB e MDB contrataram pesquisas quantitativas e qualitativas para tentar chegar a um consenso e definir uma candidatura presidencial única. Os resultados devem ser divulgados na quarta-feira, 18, um dia depois da reunião da Executiva do PSDB.

Tanto Doria quanto seu principal rival na legenda, o deputado Aécio Neves (MG), reclamam que os critérios adotados pelos dois partidos foram definidos para beneficiar a senadora do MDB, que tem menos rejeição nas últimas pesquisas.

O mineiro critica a pré-candidatura de Doria, mas é contra um “aliança automática” com o MDB. Ele afirmou que não vai reconhecer a decisão do partido caso seja por apoio ao MDB.

“Querem retirar a candidatura do Doria com a mão do gato, com a mão do MDB. Se querem tirar, façam de frente, com clareza e coragem. Isso que está faltando no PSDB. Ou então façam o inverso, apoiem a candidatura de Doria”, disse. (Com Agência Estado)


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