A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta quarta-feira que ela e sua família passaram a ser alvo de ameaças e ataques nas redes sociais, incluindo mensagens violentas dirigidas à sua filha. A declaração foi feita durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pela própria parlamentar, um dia após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciar que deixará a presidência do PL Mulher em meio à crise política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em seu pronunciamento, Damares disse que a escalada da violência política contra mulheres exige uma resposta firme das instituições e da sociedade.
Durante a sessão, a senadora relatou que as ameaças ultrapassaram as críticas políticas e passaram a atingir diretamente sua família. Segundo ela, pessoas divulgaram mensagens afirmando que pretendem matar sua filha, uma jovem indígena adotada por Damares. A parlamentar afirmou que também foram compartilhadas montagens e imagens simulando atos de extrema violência contra a filha, incluindo cenas de decapitação e empalamento.
Ao comentar o episódio, Damares classificou as mensagens como uma forma de violência política que, segundo ela, ultrapassa qualquer limite aceitável do debate democrático. A senadora afirmou que ficou profundamente abalada com o conteúdo das ameaças, ressaltando que os ataques atingem não apenas sua atuação parlamentar, mas também pessoas de sua família que não exercem atividade política.
Após a reunião da comissão, Damares informou ao jornal O Globo que a bancada feminina do Senado pretende discutir providências institucionais diante dos recentes casos de violência política contra mulheres. Segundo a parlamentar, a proteção às vítimas não pode depender exclusivamente da manifestação individual de quem sofreu os ataques, pois a violência política de gênero representa um problema coletivo que precisa ser enfrentado pelas instituições.
Ao longo do pronunciamento, a senadora destacou que mulheres de diferentes posições ideológicas vêm sendo alvo de ofensas, intimidações e campanhas de desinformação. Ela afirmou que esse ambiente hostil não pode servir como fator de desestímulo para novas lideranças femininas e incentivou outras mulheres a participarem da política, apesar das dificuldades enfrentadas.
Damares disse que as futuras candidatas precisam estar preparadas para enfrentar críticas e ataques, mas não devem desistir da participação política. Segundo ela, a presença feminina em cargos eletivos representa um avanço democrático que precisa ser preservado e fortalecido, independentemente das divergências partidárias existentes entre as parlamentares.
Durante sua fala, a senadora também criticou declarações recentes do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e afirmou que determinados discursos passaram a questionar até mesmo a capacidade das mulheres de exercer plenamente seus direitos políticos. Para Damares, esse tipo de manifestação contribui para ampliar a discriminação e reforçar preconceitos históricos contra a participação feminina nos espaços de decisão.
A parlamentar afirmou ainda que o crescimento do número de mulheres candidatas e eleitas tem provocado reações negativas de setores que resistem ao aumento da representatividade feminina. Segundo ela, nunca houve tantas mulheres disputando cargos públicos quanto no atual cenário político, fator que, em sua avaliação, explica parte da hostilidade registrada nas redes sociais.
Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro, Damares dirigiu um apelo aos homens que já participam da pré-campanha eleitoral para as próximas eleições. Ela afirmou que o silêncio diante de episódios de violência política contra mulheres acaba sendo interpretado como conivência e pediu que lideranças masculinas também se posicionem publicamente em defesa das vítimas.
Na sequência, reforçou que homens envolvidos na disputa eleitoral precisam assumir compromisso com o enfrentamento da violência política de gênero. Segundo a senadora, a defesa das mulheres não deve ser uma responsabilidade exclusiva das parlamentares, mas uma causa compartilhada por todos aqueles que participam da vida pública.
Interlocutores de Damares afirmaram que o recado não foi direcionado apenas a Flávio Bolsonaro, mas a diversos líderes políticos que permaneceram em silêncio diante dos ataques recentes contra mulheres ligadas ao campo conservador. De acordo com pessoas próximas à senadora, o ambiente de hostilidade aumentou depois que Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo com críticas públicas ao enteado, provocando intensa repercussão entre apoiadores nas redes sociais.
Durante o pronunciamento, Damares também saiu em defesa de Michelle Bolsonaro. Ela afirmou que a ex-primeira-dama foi alvo de uma campanha de ataques, incluindo montagens produzidas com inteligência artificial e questionamentos sobre sua família. Segundo a senadora, a filha de Michelle também passou a ser atingida por mensagens ofensivas e desinformação.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro reuniu deputadas e lideranças conservadoras em Brasília para apresentar os principais eixos da agenda feminina de sua pré-campanha presidencial. Damares não participou do encontro. Aliados da senadora afirmaram que ela decidiu não comparecer por considerar insuficiente a ausência de uma manifestação pública de solidariedade do senador diante das ameaças e ataques sofridos por ela e por Michelle Bolsonaro nos últimos dias.
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

