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Por Marcelo Gomes

Uma das poucas empresas no mundo que domina a extração de lítio, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) é, em parte, patrimônio dos mineiros. O governo Zema intenciona vender essa riqueza, sem explicar porquê. E os deputados estaduais não sabem dessa intenção. Alguns foram até surpreendidos ao tomar conhecimento da proposta, que pode empobrecer ainda mais o estado.

Até o momento sabe-se que a região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, é a única no país onde há lítio, mineral essencial para diversas tecnologias. Parte do elemento é produzido pela CBL. Nessa empresa privada, o governo do estado, por meio da Codemge (empresa estatal), possui 33% das ações. Zema quer vender essa fração.

Entre o início deste mês até 7/03, a Codemge está consultando o mercado para verificar se alguma empresa se interessa na compra dessas ações, conforme revelado em primeira mão pelo Novojornal. Por se tratar de um importante patrimônio público, consultamos deputados estaduais dos três grupos políticos da Assembleia Legislativa de Minas para saber o posicionamento deles. Ninguém tinha conhecimento da intenção. Parte deles ficaram surpresos.

Zema tem o arbítrio de se desfazer dos bens públicos. Contudo, no caso do patrimônio em questão, a opinião dos representantes do povo é fundamental. Isso porque está em jogo relevante meio de desenvolver a economia do estado, sobretudo do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres.

As indústrias possuem o chamado efeito cascata na economia. Elas empregam tecnologias e mão de obra capacitada, cuja remuneração é sempre mais elevada. Assim, onde há indústria, de modo geral, o nível educacional e os salários tendem a ser maiores. O governo estadual, por ser grande acionista na CBL, pode forçar a empresa a empregar mão de obra local e, sobretudo, pressioná-la a investir no Jequitinhonha. Além disso, pode aplicar outras políticas públicas de desenvolvimento.

Em maio de 2020, Zema anunciou que Juiz de Fora iria receber uma fábrica de células de bateria de lítio-enxofre, a qual seria administrada pela Codemge e a empresa britânica Oxis Energy. O investimento é de R$ 245 milhões. A operação começaria ano que vem com a produção de 300 mil células de bateria. Com a venda, não se sabe como ficaria tal investimento.

Uma das estratégias da Bolívia para tirar sua população da pobreza é investir no país graças aos recursos advindos do lítio. A nação vizinha possui a maior reserva mineral no mundo. Argentina e Chile estão em segundo lugar. Se contar com as reservas de Minas Gerais, a América do Sul pode ser líder mundial de produção da substância.

Ela serve para a construção de baterias de carros, é essencial para a confecção de smartphones, tablets, aviões, e até mesmo a bomba atômica. Ou seja, é um dos bens naturais mais cobiçados no capitalismo.

Ainda sobre a CBL, essa empresa é uma das poucas no mundo que além de possuir uma mina de lítio domina a tecnologia integrada minério-concentrado-composto, a qual serve para atender a praticamente todas as aplicações para compostos de lítio.

O governo de Minas, por meio da Codemge, não apresenta argumentos plausíveis à venda, como se verifica na intenção de venda no site da estatal. Geralmente, os governantes que advogam pela privatização de estatais ressaltam seus prejuízos financeiros. Tratando-se da CBL, isso não se aplica, conforme a própria demonstração contábil da Codemge.


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