Por Marco Aurélio Carone

Além do Nióbio, o governador Zema agora quer vender a participação da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), na única empresa brasileira produtora de carbonato e hidróxido de lítio, outro material altamente estratégico e com um mercado globalmente em expansão.

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) abriu consulta de interesse, com a finalidade de receber propostas do setor privado para a alienação de sua participação (33,33%) na Companhia Brasileira de Lítio (CBL). Pioneira na mineração subterrânea de espodumênio, que é a principal fonte do lítio.

Com unidade de mineração em Araçuaí/MG e planta de processamento químico em Divisa Alegre/MG, no Vale do Jequitinhonha.

Região carente de investimentos públicos, o Governo de Minas Gerais, através de sua participação acionaria, deveria incentivar a instalação de indústrias da cadeia de produtos derivados do lítio.

Em maio de 2020, Zema anunciava que o município de Juiz de Fora iria receber uma fábrica de células de bateria de lítio-enxofre. Numa sociedade entre a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), e a empresa britânica Oxis Energy. Um investimento de R$ 245 milhões e a previsão de que a operação comece em 2023, com produção inicial de 300 mil células de bateria, podendo chegar a 5 milhões por ano

Lítio, um dos produtos mais cobiçados na atualidade devido ao seu elevado calor específico, o maior de todos os sólidos, é usado em aplicações de transferência de calor e por causa do seu elevado potencial eletroquímico e de eletrodo é usado como um ânodo adequado para as baterias elétricas.

É um componente importante nas ligas metálicas de alumínio, cádmio, cobre e manganês, utilizados na construção aeronáutica e foi empregado com êxito na fabricação de cerâmicas e lentes, como a do telescópio Refletor Hale de “Monte Palomar”, e com o alumínio, cádmio, cobre e manganês são utilizadas para a produção de peças de alta performance em aviões.

Aplicações militares

O lítio e muito utilizados como aditivos energéticos nos propelentes dos foguetes. O hidreto de lítio é utilizado nas bombas de hidrogênio. E o deuterido de lítio foi utilizado como combustível na bomba nuclear de Castle Bravo. Já o hidróxido de lítio e o peróxido de lítio são os sais mais utilizados nas áreas fechadas, como nas naves espaciais e nos submarinos para remover o dióxido de carbono e na purificação de ar.

Produz ainda graxas lubrificadas, pois tem a capacidade de engrossar os óleos, em especial sob altas temperaturas. O Lítio-7 ganhou interesse na produção de fluido refrigerante nos reatores nucleares.

O fluoreto de lítio e utilizado pelos técnicos de óptica para transmitir os raios infravermelhos e ultravioletas. Ele tem um dos menores índices de refração e sua eficiência na transmissão dos raios infravermelhos e ultravioletas é maior se comparado com outras substâncias conhecidas.

Assusta a voracidade com que Romeu Zema quer dispor-se dos principais ativos do Estado de Minas Gerais.