O ministro Flávio Dino afirmou nesta semana que foi alvo de ameaça feita por uma funcionária de companhia aérea em um aeroporto de São Paulo após ela visualizar seu cartão de embarque. Segundo o magistrado, a atendente teria declarado que “seria melhor matar do que xingar” o integrante do Supremo Tribunal Federal, episódio que levou Dino a defender campanhas educativas e ações voltadas à convivência pacífica em pleno período eleitoral.
Ao comentar o caso, o ministro demonstrou preocupação com a escalada de radicalização política e afirmou que situações semelhantes podem representar riscos não apenas às autoridades públicas, mas também à segurança coletiva em ambientes como aeroportos e aeronaves comerciais. Para Dino, o episódio revela um ambiente de “contaminação por ódio” relacionado à atuação de integrantes do STF em julgamentos de grande repercussão política.
O magistrado ponderou que o caso pode ter sido isolado, mas ressaltou que consumidores não podem conviver com receio de sofrer agressões verbais ou constrangimentos ao utilizar serviços privados por causa de posicionamentos políticos, opiniões pessoais ou decisões institucionais.
Segundo Flávio Dino, empresas e entidades empresariais deveriam estimular campanhas de orientação voltadas ao respeito institucional e à convivência democrática entre funcionários e consumidores. O ministro afirmou que iniciativas educativas poderiam contribuir para reduzir tensões sociais e preservar o ambiente democrático durante o processo eleitoral.
Após a divulgação do relato, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota oficial em solidariedade ao colega. No comunicado, Fachin declarou que divergências políticas e ideológicas jamais podem servir de justificativa para manifestações de ódio, violência ou agressões pessoais contra qualquer cidadão.
O presidente do Supremo afirmou ainda que o respeito mútuo é condição essencial para a convivência republicana e defendeu o fortalecimento de valores ligados à civilidade, tolerância e paz social. Segundo Fachin, o Brasil precisa preservar o espírito democrático para permitir que diferenças políticas coexistam dentro dos limites institucionais e do respeito à dignidade humana.
Durante cerimônia de posse de novos integrantes do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin voltou a comentar o tema e afirmou que críticas a autoridades públicas são legítimas dentro do regime democrático, mas destacou que tentativas de deslegitimar instituições podem abrir espaço para instabilidade política e arbitrariedades.
Fachin também criticou a disseminação sistemática de informações falsas com finalidade eleitoral. Segundo o ministro, ataques organizados contra instituições da República fragilizam a democracia, comprometem a confiança pública e aprofundam tensões sociais em um cenário político já marcado pela polarização ideológica e pelos constantes embates envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Foto: Luiz Silveira/STF

