O Partido Liberal convocou para esta terça-feira uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e as bancadas de deputados federais e senadores da legenda. O encontro será o primeiro grande movimento interno do partido após a crise política provocada pela divulgação de mensagens, áudios e documentos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desde o surgimento das denúncias, Flávio Bolsonaro já participou de reuniões reservadas com lideranças estratégicas da sigla, incluindo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho, escolhido para coordenar sua campanha presidencial, e o próprio Jair Bolsonaro. No entanto, esta será a primeira vez em que um número maior de parlamentares discutirá coletivamente os impactos políticos da crise e as estratégias de reação da pré-candidatura.

O desgaste envolvendo o senador ganhou dimensão nacional após reportagem do site Intercept Brasil revelar mensagens em que Flávio Bolsonaro solicitava recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o longa-metragem “Dark Horse”. Segundo os documentos divulgados, o acordo previa aportes de US$ 24 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões.

Nos bastidores do PL, aliados passaram a criticar a forma como o senador vem conduzindo a crise. Integrantes próximos à campanha avaliam que Flávio respondeu rapidamente demais às acusações, sem preparação estratégica adequada, o que acabou produzindo declarações improvisadas e consideradas contraditórias.

Uma das principais críticas internas envolve o fato de o senador inicialmente negar ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro e posteriormente admitir os contatos relacionados ao financiamento do filme. A situação gerou desconforto entre parlamentares e dirigentes da legenda, preocupados com os impactos eleitorais do episódio.

Outro ponto que ampliou a percepção de desorganização foi a manifestação do deputado Mario Frias, participante da produção do longa-metragem. Inicialmente, Frias negou que Vorcaro tivesse financiado o filme. Mais tarde, afirmou que havia se referido especificamente à participação pessoal do banqueiro, enquanto a reportagem apontava repasses realizados pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao ex-controlador do Banco Master.

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, também criticou publicamente a condução da comunicação da crise após entrevista concedida por Flávio Bolsonaro à GloboNews. Segundo ele, o problema enfrentado pela oposição não seria jurídico, mas relacionado à estratégia política e à comunicação pública da campanha.

O próprio Eduardo Bolsonaro fez observação semelhante durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Segundo ele, respostas precipitadas poderiam gerar contradições e fornecer argumentos aos adversários políticos. A declaração foi interpretada como sinal de desconforto interno dentro da própria família Bolsonaro diante da repercussão negativa do caso.

A ausência do publicitário Marcello Lopes, responsável pela comunicação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, também passou a ser alvo de questionamentos dentro do PL.

O marqueteiro está de férias nos Estados Unidos e deve assumir oficialmente a coordenação da comunicação apenas no início de junho. Em resposta às críticas, Fabio Wajngarten afirmou nas redes sociais que o cronograma já estava previamente acordado com a campanha.

Enquanto o PL tenta reorganizar sua estratégia política, partidos que negociavam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro passaram a adotar postura mais cautelosa. Lideranças da federação União-PP e do Republicanos reduziram o ritmo das negociações e avaliam a possibilidade de manter neutralidade na disputa presidencial caso o desgaste da crise continue aumentando.

Paralelamente à crise política, a Polícia Federal investiga se parte dos recursos destinados ao filme “Dark Horse” pode ter sido utilizada para outras finalidades, entre elas o financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado licenciado nega qualquer irregularidade envolvendo os valores investigados pelas autoridades federais.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


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