A federação entre PSDB e Cidadania, formada há dois anos, está próxima de chegar ao fim. Após divergências em duas eleições consecutivas, as siglas sinalizam que não renovarão o acordo em 2026. A legislação exige que a federação seja mantida até abril do ano eleitoral, mas já se discute a separação, prevista para ser formalizada em março.

Comte Bittencourt, presidente nacional do Cidadania, confirmou que o rompimento é iminente, apesar de ponderar que a decisão ainda passará pela executiva do partido. “O sentimento predominante é de não continuarmos federados. Apesar da boa relação com o PSDB, a experiência mostrou falta de amadurecimento”, declarou.

A federação nunca foi uma unanimidade. Em 2022, sua aprovação no Cidadania ocorreu com apenas um voto de diferença, o que levou a baixas significativas, como a saída do senador Alessandro Vieira, agora no MDB. As eleições subsequentes intensificaram as insatisfações. Em 2024, desacordos em capitais como Curitiba e Rio de Janeiro ampliaram os desgastes.

Em Curitiba, o PSDB desejava que o deputado federal Beto Richa fosse candidato à prefeitura. No entanto, o Cidadania manifestou apoio ao vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD), gerando atritos. No Rio, os tucanos apoiaram Marcelo Queiroz (PP) e indicaram Teresa Bergher como vice, enquanto o Cidadania respaldou a reeleição de Eduardo Paes (PSD).

Diante da separação, ambos os partidos buscam novos aliados. O PSDB cogitou união com o PDT, com conversas envolvendo Marconi Perillo, Ciro Gomes e Tasso Jereissati. Entretanto, as tratativas com o Solidariedade avançaram mais significativamente, indicando uma provável federação entre as duas siglas. “Vejo boa possibilidade de federarmos com eles”, afirmou Perillo.

Para o Cidadania, a aproximação com o PSB tem sido considerada. Contudo, o partido prioriza resolver o fim da parceria com o PSDB antes de formalizar novos acordos.

Criadas pela lei de 2021, as federações exigem que as legendas funcionem como uma só por quatro anos. A primeira experiência foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto de 2022. Apesar das dificuldades, a federação PSDB-Cidadania abriu espaço para novas articulações, mas também evidenciou desafios no alinhamento político de partidos com perfis distintos.

 

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil