O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro tem mantido diálogo com os Estados Unidos após a decisão de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. No entanto, segundo ele, nem sempre há reciprocidade por parte das autoridades norte-americanas nas conversas entre os dois países.
Em entrevista concedida à revista Veja na noite desta segunda-feira, o ministro declarou que o Brasil busca manter canais de comunicação abertos com Washington, mas reclamou da falta de informações prévias sobre medidas que afetam diretamente interesses brasileiros.
Durigan citou um encontro realizado em maio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o qual teria sido discutida a ampliação da cooperação entre os órgãos aduaneiros dos dois países. Segundo ele, apesar desse esforço de aproximação, o Departamento de Estado norte-americano não comunicou previamente ao governo brasileiro a decisão relacionada às facções criminosas.
O ministro ressaltou que os principais prejudicados pela atuação dessas organizações são os próprios brasileiros. De acordo com ele, quem convive diariamente com a violência promovida pelos grupos criminosos são os moradores das comunidades brasileiras, e não os cidadãos norte-americanos.
Apesar das críticas, Durigan afirmou que toda iniciativa capaz de contribuir para o combate ao crime organizado é bem-vinda. No entanto, ressaltou que o governo brasileiro não aceita medidas que possam ser interpretadas como pressão ou intimidação.
O ministro também demonstrou preocupação com possíveis reflexos econômicos das decisões adotadas pelos Estados Unidos. Segundo ele, as conversas em andamento indicam a possibilidade de aumento de tarifas, taxas bancárias e outros custos que poderão afetar as relações econômicas entre os dois países.
Durigan alertou ainda para impactos de longo prazo, como aumento do risco-país, redução da atratividade para investimentos estrangeiros e possíveis prejuízos a mecanismos financeiros brasileiros, incluindo o Pix.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

