Favorito na disputa pela presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro Edinho Silva afirma que o governo Lula é “o maior patrimônio do PT” e rebate críticas que o classificam como governista. “Não defender o governo Lula é um imenso erro”, afirma. Para ele, o partido precisa ampliar seu diálogo e buscar apoio entre setores que não votaram no PT nas eleições de 2022. “Se a opinião pública se mantiver cristalizada, nossa possibilidade de vitória diminui”, alerta.

Edinho diz que sua candidatura é resultado de um movimento coletivo. “O PT tem desafios importantes e precisa melhorar seu funcionamento e reaproximar-se da base. É fundamental que o partido enfrente debates como segurança pública, transição energética e participação popular, temas que foram sendo deixados de lado ao longo do tempo”, avaliou.

Ele reconhece que, no início da campanha, havia setores que preferiam um nome vinculado ao atual núcleo dirigente, mas afirma que esse momento foi superado. “Hoje conto com o apoio da corrente majoritária, a CNB, e de outras forças importantes do partido”, declarou. “Não houve acordos prévios sobre a formação da executiva. Esse debate será feito no momento apropriado”, acrescentou.

Para Edinho, o governo Lula é essencial para a sobrevivência e relevância do PT. “Sem Lula, o partido não teria superado as crises recentes. O PT precisa ter posição, disputar os rumos da coalizão e defender o governo“, reforçou. Ele avalia que há um cenário de forte polarização que dificulta o reconhecimento dos avanços do governo. “Há também um sentimento antissistema, que nasce da crise da democracia representativa. As pessoas votam e não veem mudanças concretas em suas vidas. Isso não acontece só no Brasil, é um fenômeno mundial”, disse.

Na análise de Edinho, o país vive um processo de desorganização institucional que enfraqueceu o presidencialismo. “O Brasil não é mais presidencialista. Como formar coalizão se o ministro não executa mais o Orçamento? Por que o parlamentar vai manter lealdade ao governo se pode definir sozinho a destinação de recursos?”, questionou. “Precisamos de maturidade para construir respostas a isso.”

Ele também afirmou que a composição do governo Lula 3 foi desenhada com base na lógica das gestões anteriores. “Antes, o ministro atendia a base de apoio para manter a governabilidade. Hoje, com as emendas impositivas, o ministro perdeu poder. É uma desorganização institucional evidente”, avaliou.

Sobre as tensões entre os Poderes, Edinho foi enfático: “A questão não é debater no varejo, mas buscar soluções que garantam a estabilidade do país. Quem tem autoridade para chamar o Judiciário para esse diálogo é o presidente Lula.”

Edinho defende a necessidade de ampliar o diálogo com todos os setores da sociedade. “Não entendo quem acredita que não devemos dialogar com quem não votou em Lula em 2022. Ganhamos por uma margem de apenas 2%. Se a opinião pública permanecer cristalizada, nossa chance de vitória nas próximas eleições será reduzida”, concluiu.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 


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