A partir desta quarta-feira, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) inicia uma série de reuniões em Washington D.C. com representantes do governo dos Estados Unidos. O objetivo é apresentar a assessores de Donald Trump um dossiê detalhado sobre a repercussão política da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo o documento, a medida, embora não tenha impedido Moraes de decretar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, produziu efeitos relevantes na Corte e no Congresso Nacional. Eduardo pretende argumentar que o “sistema” brasileiro estaria “digerindo” a ofensiva americana e que a estratégia deve ser mantida. Ao lado do ex-apresentador Paulo Figueiredo, com quem articula sanções contra o STF e empresas brasileiras, ele defenderá que a retaliação ajudou a tensionar o ambiente no Supremo e deu fôlego à oposição, que recentemente se mobilizou no Legislativo pela inclusão da chamada “anistia bolsonarista” na pauta.

O dossiê aponta que Moraes não consultou o procurador-geral da República nem ministros próximos, como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, antes da prisão domiciliar, diferentemente de ocasiões anteriores. Também reúne reportagens sobre desconfortos internos na Corte e menciona que Barroso e Gilmar sugeriram ao colega moderação em suas decisões.

A meta é convencer Washington de que a melhor tática seria isolar Moraes antes de aplicar a Magnitsky a outros ministros. Barroso, preocupado com eventuais novas sanções, e Gilmar, que buscou diálogo com aliados de Bolsonaro e banqueiros, são citados como figuras-chave nesse contexto.

O relatório também defende que as chances de aprovação da anistia cresceram após as sanções, mesmo diante da resistência das presidências da Câmara e do Senado. Um acordo fechado por Arthur Lira com a oposição, sem o aval do atual presidente da Câmara, Hugo Motta, prevê a votação de projeto que pode anistiar desde os envolvidos no 8 de janeiro até Bolsonaro, além de extinguir o foro privilegiado.

Para Eduardo, essa mudança permitiria que parlamentares agissem com mais liberdade em relação ao STF. O documento destaca ainda o apoio público de 41 senadores ao impeachment de Moraes, número suficiente para abrir processo, mas insuficiente para sua cassação.

Pesquisas do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), alinhadas ao discurso bolsonarista, serão anexadas. Segundo o instituto, 42,6% da população apoia as sanções contra Moraes, contra 43,5% que se opõem, indicando divisão. Outro levantamento do Ibespe responsabiliza Lula pelo tarifaço de Trump mais do que o próprio presidente americano ou Bolsonaro.

Dados eleitorais do instituto mostram Bolsonaro liderando cenários contra Lula, apesar da inelegibilidade até 2030. Eduardo também aparece competitivo em simulações, superando Tarcísio de Freitas, que é visto no entorno de Trump como “traidor” por críticas às tarifas. Já sondagens de outros institutos, como a Genial/Quaest, colocam Lula à frente em todos os cenários, inclusive contra Bolsonaro.

A entrega do dossiê ocorrerá em um momento de relações tensas entre Brasília e Washington, com poucos encontros bilaterais recentes e um diálogo político praticamente paralisado.

 

 

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados