Entre diplomatas do Itamaraty e integrantes do governo Lula, já não resta expectativa de que a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil adote um tom mais moderado. Fontes do governo americano têm reiterado, em conversas com interlocutores brasileiros, que continuarão as publicações nas redes sociais com críticas a autoridades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As convocações feitas até agora ao encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, não surtiram efeito.
Segundo relatos, a gestão Trump pretende intensificar as manifestações críticas a Moraes e a outras autoridades brasileiras. Há, inclusive, a percepção de que Escobar pode enfrentar represálias mais severas do Itamaraty, chegando até à possibilidade de expulsão. No entanto, a avaliação é de que o Ministério das Relações Exteriores evitará medidas drásticas para não provocar retaliações contra a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, que representa o Brasil em Washington.
Desde o início do ano, Escobar foi convocado três vezes para prestar esclarecimentos. A primeira, em janeiro, tratou de deportações de brasileiros em um voo no qual passageiros estavam algemados e denunciaram maus-tratos. A segunda, em julho, ocorreu após declarações de apoio de Donald Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro, consideradas ingerência política. A terceira convocação foi na semana passada, motivada por uma postagem com críticas a Moraes e ameaças direcionadas a outras autoridades brasileiras.
Com o endurecimento da postura, a previsão é de que o embate diplomático se mantenha e que novas tensões se somem ao já delicado cenário entre Brasília e Washington.
Foto: Brendan Smialowsi

