Com o encerramento da janela partidária, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha definiu que disputará uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições deste ano pelo Republicanos. A decisão foi confirmada em entrevista à rádio Itatiaia, na qual afirmou que optou por permanecer na legenda por já estar filiado e por não ter identificado uma alternativa mais vantajosa para composição eleitoral.

Nos bastidores políticos, a movimentação de Cunha ocorre em meio a tensões dentro do próprio campo aliado. O senador Cleitinho Azevedo, também ligado ao Republicanos e cotado para disputar o governo de Minas Gerais, tem histórico de atritos com o ex-deputado. Em 2023, Cunha apresentou queixa-crime ao Supremo Tribunal Federal após ser alvo de ofensas durante uma manifestação em Belo Horizonte, quando foi chamado de “vagabundo” e “canalha”. O episódio aprofundou a disputa política entre os dois.

Antes disso, Cleitinho já havia declarado no plenário do Senado que percorreria os 853 municípios mineiros para fazer campanha contra Cunha, caso ele mantivesse o plano de disputar uma vaga na Câmara. A divergência evidencia o cenário de fragmentação política no estado, mesmo entre integrantes de um mesmo partido.

Em janeiro, Cunha divulgou um vídeo explicando as razões de sua escolha por Minas Gerais como base eleitoral. Segundo ele, o estado representa uma síntese do país, tanto pela diversidade regional quanto pela posição geográfica estratégica. O ex-presidente da Câmara destacou que Minas faz divisa com diversos estados e reúne características econômicas e culturais variadas, o que, em sua avaliação, torna o território um espelho do cenário nacional.

Ao comentar eleições recentes, Cunha citou o desempenho equilibrado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro em 2022. Em Minas Gerais, Lula venceu por margem apertada, com 50,2% dos votos contra 49,8% de Bolsonaro, resultado próximo ao registrado no país. Para o ex-deputado, o comportamento do eleitorado mineiro reforça o papel do estado como termômetro político nacional.

Ele também ressaltou que Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo, e afirmou que o estado tem potencial político maior do que atualmente exerce. Cunha criticou gestões anteriores, incluindo o governo de Fernando Pimentel, que classificou como desastroso, ao comentar a situação econômica e administrativa mineira.

A estratégia de Cunha para consolidar apoio em Minas incluiu uma série de ações ao longo dos últimos meses. Ele passou a frequentar eventos regionais, como leilões agropecuários e cultos religiosos, além de investir na comunicação local com a aquisição de rádios em diferentes municípios. Também se aproximou de segmentos do esporte, patrocinando clubes para ampliar sua visibilidade.

A tentativa de retorno à Câmara ocorre após uma trajetória política marcada por ascensão e queda. Cunha presidiu a Casa entre 2015 e 2016, período em que ganhou protagonismo nacional, mas teve o mandato cassado no contexto da Operação Lava Jato. Desde então, busca retomar espaço político.

Em 2022, tentou se eleger deputado federal por São Paulo, mas obteve votação insuficiente. Antes disso, havia construído sua carreira no Rio de Janeiro, onde foi eleito deputado federal por quatro mandatos consecutivos entre 2003 e 2018.

Atualmente, a base eleitoral fluminense da família é representada por sua filha, Dani Cunha, eleita deputada federal em 2022 pelo União Brasil. A decisão de Cunha de disputar em outro estado foi motivada pela avaliação de que não havia espaço político suficiente para eleger dois membros da mesma família no Rio de Janeiro.

Com a candidatura em Minas Gerais, Cunha aposta em reconstruir sua trajetória política em um dos principais colégios eleitorais do país, buscando retomar protagonismo no cenário nacional e influenciar os rumos do debate político no estado e no Brasil.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil


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