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Após 25 meses de preços em alta, o Brasil deve registrar deflação em julho. É o que preveem economistas consultados.

A expectativa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre) é de que a inflação no país recue em até 0,6% em julho, como resposta ao barateamento dos combustíveis e da energia elétrica.

Caso a projeção se concretize, será a maior queda inflacionária para um mês desde o início do Plano Real, em 1994, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até então, o recuo mais expressivo no país aconteceu em agosto de 1998, de 0,51%.

Nesta terça-feira (26), a desaceleração da inflação neste mês foi indicada no IPCA-15, que ficou em 0,13%. Para o economista do FGV-Ibre, André Braz, a análise, devido à data da coleta, não conseguiu mensurar o total impacto da redução da gasolina e da energia elétrica, motivada pela limitação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“A prévia do IBGE não contemplou todo o impacto gerado pela queda no imposto do ICMS. Esse resultado não mostra que estamos com a inflação controlada, muito pelo contrário, ainda seguimos com números altos e descontrolados. O bom resultado deste mês acontece apenas por conta dessa redução do imposto. Ainda não é uma luz no final do túnel”, declarou o economista.

Totalizando mais de 10% dos gastos mensais de um brasileiro, segundo Braz, combustíveis e energia tiveram uma diminuição significativa após a aprovação de uma lei nacional que obriga um teto de 17% a 18% no ICMS.

Para Fábio Romão, da LCA Consultores, que projeta uma deflação de 0,63% em julho, a redução da gasolina de R$ 4,06 para R$ 3,86, anunciada pela Petrobras às distribuidoras, também atua para o resultado no mês.

Segundo o último boletim da ANP, o combustível está com preço médio de R$ 5,89 no país, patamar que não era atingido desde agosto do ano passado.

O Levantamento da LCA Consultores estima uma queda de 3,76% no segmento de transportes. Quanto ao segmento de habitação, o estudo estima que queda de 1,75%, influenciada pelos preços do botijão de gás e, sobretudo, da energia elétrica residencial, que deve cair 8,08%.

Já a alimentação deve continuar em alta, puxada especialmente pelas frutas, aves, ovos, carnes, peixes, leites e seus derivados.

O economista e professor da PUC-Rio Roberto Simonard alerta que a queda nos preços em julho não deve ser uma tendência para os próximos meses.

“Penso que essa queda realmente deve ser pontual e não deva se manter até o fim do ano. As pressões inflacionárias, inclusive internacionais, são um cenário que está colocado. Vemos aumentos de preços que vêm do exterior, causados por problemas de produção, e que estão pressionando as inflações desses países. E esses efeitos inflacionários do exterior acabam chegando no Brasil e impactando também preços brasileiros”, avalia o economista.

O resultado oficial da inflação brasileira de julho será divulgado no dia 9 de agosto pelo IBGE.


Paola Tito

editor

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