O ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira afirmou nesta terça-feira, 10 de junho, que alertou o então presidente Jair Bolsonaro sobre a gravidade da possibilidade de adoção de medidas golpistas no fim de seu governo, em 2022. General do Exército, Nogueira é réu na ação penal que investiga a trama golpista e foi interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Nogueira teria apoiado críticas ao sistema eleitoral, incentivado a tentativa de golpe e apresentado uma versão do chamado decreto golpista com o objetivo de obter o respaldo dos comandantes das Forças Armadas. O ex-ministro confirmou que participou da reunião convocada por Bolsonaro para discutir estudos sobre a decretação de medidas como estado de sítio, com a intenção de reverter o resultado das eleições. No entanto, negou ter apresentado o referido documento.
Durante seu depoimento, Nogueira relatou que alertou o ex-presidente sobre as graves consequências de um eventual golpe. Ele e o então comandante do Exército, Freire Gomes, teriam saído “preocupadíssimos” da reunião. “Alertei da seriedade, da gravidade, se ele estivesse pensando em estado de defesa, estado de sítio. Estávamos conversando em meio a uma tempestade de ideias, refletindo sobre as possíveis consequências futuras caso aquelas ações fossem adiante”, afirmou.
O ex-ministro também rejeitou a acusação de que teria levado a minuta do golpe aos comandantes militares. Em relação ao relatório de auditoria das urnas eletrônicas, Nogueira negou ter sofrido qualquer pressão de Bolsonaro para adulterar o conteúdo ou para omitir informações. “O presidente da República jamais me pressionou, seja para enviar o relatório apenas para o segundo turno, seja para alterar o relatório. Fico indignado ao saber, pela denúncia, que estou sendo acusado de ter modificado esse documento”, disse.
Paulo Sérgio Nogueira acrescentou que o relatório entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) refletia exclusivamente a avaliação técnica das Forças Armadas. Em um gesto de autocrítica, o general pediu desculpas públicas ao ministro Alexandre de Moraes e ao TSE por declarações anteriores, nas quais havia atacado a integridade das urnas eletrônicas e os ministros do tribunal. “Gostaria de me desculpar publicamente por ter feito essas colocações. Naquela reunião, usei palavras totalmente inadequadas para tratar do trabalho do TSE”, afirmou.
Nogueira foi o único réu a depor por videoconferência. Já o general Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022, permanece preso desde dezembro do ano passado, acusado de tentar obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe e de buscar informações sobre a delação de Mauro Cid.
O interrogatório dos réus marca uma das últimas etapas do processo. A expectativa é que o julgamento que decidirá pela condenação ou absolvição de Bolsonaro e dos demais acusados ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Foto: Fellipe Sampaio/STF

