A Federação das Indústrias de Minas Gerais avalia com cautela a manutenção da bandeira tarifária verde para abril, anunciada nesta sexta-feira, 27, pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Com a decisão, não haverá cobrança adicional na conta de luz no próximo mês.
A medida reflete condições ainda favoráveis de geração de energia no país, impulsionadas por níveis satisfatórios dos reservatórios e menor necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado.
Segundo o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, o cenário exige atenção diante da transição para o período seco no Sudeste, região que concentra os principais reservatórios do Brasil. Ele destaca que a redução das chuvas tende a impactar a reposição de água, o que pode influenciar a geração hidrelétrica ao longo dos próximos meses.
Pataca também aponta a influência do El Niño, que já começa a se consolidar. O fenômeno provoca alterações no regime de chuvas, com tendência de redução no Nordeste e aumento na região Sul. Esse comportamento pode favorecer a recuperação dos reservatórios do Sul, que atualmente estão abaixo da média histórica.
Por outro lado, o coordenador alerta que o aumento das temperaturas durante o outono deve elevar a demanda por energia elétrica em diversas regiões do país. O maior uso de equipamentos como ar-condicionado pode pressionar o sistema elétrico.
De acordo com a FIEMG, a combinação entre maior consumo e redução das chuvas no Sudeste exige monitoramento constante. A entidade ressalta que, apesar da manutenção da bandeira verde em abril, o cenário pode sofrer alterações nos próximos meses, dependendo das condições climáticas e do comportamento dos reservatórios.
Foto: Banco de Imagem/ FIEMG

