A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sedia, nesta quinta (9) e sexta-feira (10), a primeira capacitação para o diagnóstico de casos de varíola dos macacos. O treinamento, feito em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e o Ministério da Saúde, reúne profissionais de saúde de sete países da América Latina: Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

As atividades acontecem no Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em Manguinhos, no Rio de Janeiro. O objetivo é que técnicos de institutos nacionais de saúde estejam preparados para detecção e diagnóstico da doença no caso de uma possível emergência sanitária.

Haverá treinamento prático para realização do diagnóstico molecular, baseado na identificação do material genético do vírus, por meio da metodologia de PCR em tempo real (protocolo padrão adotado pela OMS).

A recomendação é que todos os casos suspeitos, considerando a avaliação clínica e epidemiológica, sejam testados. A abertura do evento acontece às 9h30, no auditório da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

O primeiro caso de varíola dos macacos no Brasil foi confirmado nesta quarta-feira (8) na cidade de São Paulo. O paciente, um homem de 41 anos que viajou à Espanha, foi colocado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na Zona Oeste da capital paulista.

Casos suspeitos no Brasil e confirmados no mundo

Em nota divulgada nesta quarta (8), o Ministério da Saúde informou que oito casos estão em investigação em todo o país. Segundo a pasta, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo têm um caso suspeito cada um, e há ainda dois casos em monitoramento em Rondônia e outros dois em Santa Catarina.

Neste domingo (5), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ter confirmado 780 casos de varíola de macacos em todo o mundo. Os dados correspondem ao intervalo entre 13 de maio e 2 de junho e leva em conta apenas pacientes identificados em locais em que a doença não é endêmica. Segundo a entidade, não houve mortes relatadas.

Mundo

A OMS disse que a varíola dos macacos traz um “risco moderado” para a saúde pública mundial depois que casos foram relatados em países onde a doença não é endêmica.

“O risco para a saúde pública pode se tornar alto se esse vírus se estabelecer como um patógeno humano e se espalhar para grupos mais propensos a risco de doenças graves, como crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas”, disse a OMS.

A organização diz que não há recomendação de uso de vacina da varíola para casos de varíola dos macacos.

Sintomas e transmissão

Os sintomas iniciais da varíola dos macacos costumam ser febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, gânglios (linfonodos) inchados, calafrios e exaustão.

“Depois do período de incubação [tempo entre a infecção e o início dos sintomas], o indivíduo começa com uma manifestação inespecífica, com sintomas que observamos em outras viroses: febre, mal-estar, cansaço, perda de apetite, prostração”, explica Giliane Trindade, virologista e pesquisadora do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Dentro de 1 a 3 dias (às vezes mais) após o aparecimento da febre, o paciente desenvolve uma erupção cutânea, geralmente começando no rosto e se espalhando para outras partes do corpo.

“O que é um diferencial indicativo: o desenvolvimento de lesões – lesões na cavidade oral e na pele. Elas começam a se manifestar primeiro na face e vão se disseminando pro tronco, tórax, palma da mão, sola dos pés”, completa Trindade, que é consultora do grupo criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para acompanhar os casos de varíola dos macacos.