Logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes encerrar seu voto favorável à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-mandatário, fez duras críticas ao magistrado e tentou desacreditar o julgamento em andamento na Corte.
“[O ministro Moraes] parecia o líder do governo do PT no Supremo, proferindo palavras sem embasamento jurídico, sem vinculação com absolutamente nenhuma prova, como quem está ali praticando uma vingança, porque, na cabeça dele, parece que Jair Bolsonaro queria matá-lo”, afirmou Flávio, em entrevista no Salão Azul do Senado.
Jair Bolsonaro é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado para se manter no poder. As investigações apontam que havia um plano entre aliados do ex-presidente para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio ministro Alexandre de Moraes. Flávio voltou a dizer que o STF estaria promovendo uma “perseguição” política.
Questionado sobre a fala do advogado do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, que afirmou que seu cliente tentou convencer Bolsonaro a desistir do golpe, o senador negou que isso comprometa a versão da família. “O que foi conversado lá e foi admitido foi estado de defesa ou de sítio, que está na Constituição. Como não havia base para nada, foi todo mundo para casa e nada aconteceu. Como isso foi tentativa de golpe?”, rebateu.
Ex-comandantes militares do governo Bolsonaro confirmaram, em depoimento, que, em reunião no Palácio da Alvorada, em sete de setembro de 2022, foram discutidas medidas para impedir a posse de Lula e suspender o resultado eleitoral.
Flávio ainda acusou Moraes de “manipulação processual” e disse ter supostas “provas” que serão enviadas aos ministros do STF. Ele pediu a suspensão do julgamento até que a denúncia seja investigada. “Que seja aberta uma investigação e que seja suspenso esse julgamento que está em andamento até que essa investigação seja concluída pelo bem da democracia”, concluiu.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

