O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, reforçou dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro ao discursar na Conferência de Ação Política Conservadora, realizada no fim de semana em Dallas, nos Estados Unidos. A fala segue a mesma linha adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e amplia o tom de desconfiança em relação ao processo democrático.
Durante o evento, o parlamentar pediu que a comunidade internacional acompanhe as eleições no Brasil e faça pressão para garantir o que classificou como eleições livres e justas. Segundo ele, a preservação da vontade popular dependeria da liberdade de expressão nas redes sociais e da correta contagem dos votos.
A postura contrasta com a tentativa recente de apresentar uma imagem mais moderada ao eleitorado. Nos bastidores, a estratégia busca atrair eleitores independentes em uma disputa que tende a ser polarizada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No discurso, Flávio afirmou estar confiante na vitória e utilizou retórica semelhante à de líderes populistas, ao se referir ao eleitorado como “seu povo”. Ao mesmo tempo, condicionou o resultado eleitoral à existência de garantias institucionais, repetindo questionamentos que já haviam sido feitos por seu pai em eleições anteriores.
Antes de abordar diretamente o tema eleitoral, o senador mencionou, em diversas ocasiões, o avanço do crime organizado no Brasil, associando a atuação de facções à exportação de drogas e armas para os Estados Unidos. O argumento foi apresentado como forma de sensibilizar o público conservador americano sobre a relevância do país no cenário internacional.
Em outro momento, Flávio Bolsonaro descreveu o Brasil como um espaço estratégico para o futuro do hemisfério ocidental, destacando o potencial nacional na produção de minerais críticos utilizados em tecnologia e energia limpa. A ideia foi apresentada como justificativa para maior interesse internacional nas eleições brasileiras.
O senador também retomou teorias já difundidas por aliados, ao sugerir, sem provas, que agentes estrangeiros teriam influenciado o resultado eleitoral de dois mil e vinte e dois. A narrativa tem origem em círculos ligados à direita internacional e foi amplificada por figuras próximas ao bolsonarismo.
A fala incluiu ainda críticas a pautas como a chamada agenda “woke” e políticas ambientais consideradas radicais, além de ataques a uma suposta elite global. Esses elementos reforçam a aproximação do parlamentar com correntes da direita internacional.
Ao final, Flávio Bolsonaro fez referência ao governo de Donald Trump, afirmando que uma eventual nova gestão bolsonarista seria superior à anterior. A declaração sugere alinhamento ideológico com o modelo político defendido por Trump.
A participação do senador no evento reforça sua inserção no debate internacional da direita conservadora e evidencia a continuidade de uma estratégia política baseada na mobilização de discursos críticos às instituições democráticas e ao sistema eleitoral brasileiro.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

