As forças de segurança de Minas Gerais realizaram, nesta sexta-feira, vinte e oito de fevereiro, um protesto no centro de Belo Horizonte. A mobilização incluiu policiais civis, militares, penais e bombeiros, que reivindicam a reposição das perdas inflacionárias. Como forma de pressão, a categoria ameaça adotar a chamada operação de “estrita legalidade”, limitando-se a cumprir apenas o que está previsto na legislação. A ação ocorre na véspera do Carnaval de dois mil e vinte e cinco, gerando preocupação sobre a segurança dos foliões.
A manifestação teve início na Praça Sete, seguiu pela Avenida Afonso Pena e foi finalizada na Praça da Liberdade. O Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) enfatizou a urgência da recomposição salarial, alertando que em dois mil e vinte e seis, devido às restrições eleitorais, a medida não poderá ser aplicada.
Durante o ato, um documento foi entregue ao governo estadual exigindo o reajuste salarial. Segundo a categoria, apesar de ter registrado um superávit de cinco bilhões de reais em dois mil e vinte e quatro, o governo mineiro alega não ter recursos para conceder a recomposição inflacionária prevista na Constituição. Os manifestantes criticam o aumento de duzentos e noventa e oito por cento concedido aos salários do governador Romeu Zema, do vice-governador e de seus secretários, enquanto os servidores da segurança receberam apenas quatro vírgula sessenta e dois por cento, acumulando perdas inflacionárias de quase quarenta e cinco por cento. A categoria também denuncia a utilização de recursos públicos para obras com fins eleitorais.
Como a Constituição Federal impede a realização de greves pelas forças de segurança, a categoria adotará ações estratégicas para reduzir o ritmo de trabalho. A operação de estrita legalidade estabelece que as delegacias registrem apenas trinta por cento dos boletins de ocorrência habituais. Outras medidas incluem a recusa ao uso de viaturas em más condições ou sem manutenção, a denúncia de unidades sem estrutura adequada e a não realização de operações com efetivo reduzido.
A Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG) também divulgou orientações para seus membros. Os agentes foram instruídos a seguir rigorosamente as normas de trânsito, recusando-se a dirigir veículos que não atendam aos critérios de segurança. Além disso, recomendou-se que policiais e bombeiros não utilizem telefones particulares para comunicação durante o expediente nem coletes à prova de balas com validade vencida.
O protesto das forças de segurança amplia a tensão entre os servidores e o governo de Minas Gerais, que ainda não apresentou uma solução para as demandas da categoria.
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