Uma operação conjunta da Polícia Federal, Ibama e Funai contra o garimpo ilegal no Rio Madeira, no Amazonas, resultou em uma reação violenta dos garimpeiros nos últimos dias. Armados com pedras e armas de baixo calibre, os garimpeiros tentaram invadir e incendiar a prefeitura de Humaitá (AM) na quarta-feira (22). Agentes envolvidos na operação ficaram surpresos com a “ousadia” dos garimpeiros, afirmando que esta foi a primeira vez que policiais federais foram atacados em uma situação de represália dessa magnitude. Pelo menos 16 pessoas foram detidas.
Desde o início da operação, na terça-feira (20), 303 balsas utilizadas para o garimpo ilegal foram destruídas, superando o recorde da operação Draga Zero, que no ano anterior havia inutilizado 302 balsas na mesma região.
Em resposta às ações das autoridades, garimpeiros provocaram tumultos em Humaitá, lançando rojões contra agentes da PF e ateando fogo em pneus. Houve troca de tiros, e os garimpeiros chegaram a invadir o porto privado onde os agentes desembarcavam, forçando a polícia a recuar para os barcos. Um policial foi ferido por explosivos, e um jovem foi baleado durante os confrontos.
Os garimpeiros envolvidos nos ataques são em grande parte moradores locais, e a polícia está investigando se há facções criminosas financiando essas atividades. As 16 pessoas detidas estão sendo interrogadas para identificar os responsáveis pelos atos de vandalismo e violência.
Em entrevista, o major da PM Anderson Saif descreveu a cidade de Humaitá como um “verdadeiro terror” durante os conflitos, e destacou que tentativas de diálogo com os garimpeiros foram infrutíferas. Além da tentativa de invasão da prefeitura, houve ataques a outros prédios públicos.
Esses incidentes se somam a outras reações recentes de garimpeiros contra operações policiais. Em maio deste ano, garimpeiros também bloquearam rodovias em protesto contra a destruição de balsas no Rio Madeira. Em 2017, garimpeiros foram acusados de incendiar prédios do Ibama e do ICMBio.
A Operação Prensa, que faz parte dessa ofensiva contra o garimpo ilegal, continuará até o final do mês, com a destruição de balsas no Rio Madeira e seus afluentes. A Funai informou que a operação beneficia cerca de 15 mil indígenas em seis territórios na região, protegendo suas terras de danos ambientais e invasões. Além da poluição dos rios, o garimpo ilegal tem levado drogas, álcool e assédio às comunidades indígenas, desestruturando suas sociedades.
A Funai reforçou que sua presença na região visa garantir o uso sustentável e exclusivo do território indígena, após anos de pressão intensa dos garimpeiros sobre essas comunidades.

