O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reforçar a cooperação com os Estados Unidos na área de segurança pública após a decisão da administração de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, anunciada no fim de maio e colocada em vigor nesta semana, é considerada de difícil reversão no curto prazo por integrantes do governo brasileiro.

Diante desse cenário, a estratégia adotada pelo Palácio do Planalto será intensificar o discurso de que o Brasil mantém compromisso permanente com o combate ao crime organizado e está disposto a ampliar a colaboração internacional para enfrentar organizações criminosas transnacionais. A avaliação dentro do governo é que contestar diretamente a decisão norte-americana teria pouco efeito prático neste momento.

Aliados do presidente defendem que o Brasil destaque os acordos de cooperação já existentes com os Estados Unidos e com outros países. O objetivo é demonstrar que as autoridades brasileiras participam ativamente do compartilhamento de informações, de operações conjuntas e de iniciativas voltadas ao combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e a outros crimes que ultrapassam fronteiras nacionais.

Segundo auxiliares do governo, Lula determinou que os mecanismos de cooperação internacional sejam aperfeiçoados e permaneçam entre as prioridades da administração federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza levantamentos sobre a legislação brasileira relacionada ao combate ao crime organizado, bem como sobre os instrumentos de colaboração atualmente em vigor.

O material deverá ser apresentado ao presidente para subsidiar futuras decisões. Integrantes da pasta afirmam que também não está descartada a possibilidade de aperfeiçoar acordos já existentes com autoridades norte-americanas, ampliando a troca de informações e fortalecendo iniciativas conjuntas.

Um exemplo citado por integrantes do governo é o acordo firmado em abril entre a Receita Federal e a agência norte-americana U.S. Customs and Border Protection. A parceria foi criada para ampliar o combate ao crime transnacional e fortalecer a fiscalização de operações consideradas de risco.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro pretende aguardar os efeitos práticos da classificação das facções como organizações terroristas para definir os próximos passos. Entre as dúvidas existentes está a forma como diferentes órgãos de segurança dos Estados Unidos passarão a atuar no tema e quais serão os impactos sobre os canais de diálogo atualmente mantidos entre os dois países.

Além da cooperação internacional, Lula tem reforçado em seus discursos a necessidade de combater as estruturas financeiras que sustentam o crime organizado. Recentemente, o presidente afirmou que discutiu o tema com Donald Trump e pediu colaboração para identificar e entregar à Justiça brasileira criminosos que vivem nos Estados Unidos.

A orientação do governo é demonstrar que o enfrentamento das facções criminosas permanece como prioridade nacional, ao mesmo tempo em que busca preservar o diálogo diplomático e institucional com Washington.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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