O governo federal criou nesta sexta-feira, dia 6, duas unidades de conservação federais no litoral sul do Rio Grande do Sul. A medida foi oficializada por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União e estabelece o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental do Albardão, ambos localizados no município de Santa Vitória do Palmar.

A iniciativa foi conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Segundo o governo federal, a criação das unidades de conservação tem como objetivo proteger uma das áreas consideradas mais relevantes para a biodiversidade marinha e costeira do Atlântico Sul.

De acordo com o ministério, a medida também busca fortalecer as políticas ambientais voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e à preservação de espécies ameaçadas. A região escolhida abriga ecossistemas considerados estratégicos para a reprodução e alimentação de diferentes espécies marinhas.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que a criação das novas unidades de conservação representa um compromisso do governo federal com a preservação ambiental e com a proteção dos oceanos. Segundo ela, a decisão foi baseada em estudos científicos e em processos de consulta pública realizados ao longo dos últimos anos.

De acordo com a ministra, a iniciativa também envolveu articulação entre diferentes instituições, além da participação de pesquisadores, servidores públicos e representantes da sociedade civil interessados na conservação da biodiversidade.

O conjunto formado pelo Parque Nacional Marinho do Albardão e pela Área de Proteção Ambiental do Albardão abrange uma área total de aproximadamente um milhão seiscentos e dezoito mil quatrocentos e oitenta e oito hectares. O território inclui ambientes marinhos e costeiros considerados essenciais para o equilíbrio ecológico da região.

Segundo especialistas, a área funciona como local de alimentação, reprodução e desenvolvimento para diversas espécies ameaçadas de extinção. Entre elas está a toninha, considerada o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental.

Além da toninha, a região abriga diversas outras espécies importantes para a biodiversidade marinha. Entre elas estão tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e diferentes mamíferos que utilizam o litoral gaúcho ao longo de seus ciclos de vida.

A ministra Marina Silva destacou que o território também possui ambientes conhecidos como concheiros, que são formações naturais compostas pelo acúmulo de conchas de animais marinhos. Segundo ela, esses locais apresentam grande valor ecológico e arqueológico.

A criação das unidades de conservação permitirá que esses ambientes passem a receber um nível de proteção considerado compatível com sua relevância ambiental. De acordo com o ministério, a preservação dessas áreas pode contribuir para reduzir a mortalidade de espécies marinhas e garantir a manutenção de processos ecológicos fundamentais.

O litoral sul do Rio Grande do Sul também ocupa posição estratégica nas rotas migratórias de aves marinhas do continente americano. A região faz parte da chamada rota atlântica das

Américas, que conecta o Ártico canadense e o Alasca ao extremo sul da América do Sul, passando pela costa brasileira.

Essas áreas funcionam como pontos de descanso e alimentação para aves que percorrem milhares de quilômetros durante suas migrações. Durante essas paradas, os animais se alimentam principalmente de pequenos crustáceos e invertebrados encontrados na região.

Segundo o governo federal, a criação das unidades de conservação busca garantir a preservação desses habitats naturais e contribuir para a manutenção da biodiversidade marinha e costeira do Atlântico Sul.

Foto: Acervo NEMA/Divulgação/Ministério do Meio Ambiente


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