Quem depende do ônibus ou metrô já sabe: sem solução para a greve dos metroviários e a redução no número de viagens no transporte público, esta semana será complicada para usuários do transporte coletivo em Belo Horizonte.
No metrô, ainda não há previsão para o fim da greve dos funcionários. Na última quinta-feira (24), em assembleia, a categoria determinou a continuidade do movimento por tempo indeterminado. Notícia ruim para a dona de casa Marlene Gomes, 54, que começaria a utilizar o metrô com regularidade a partir desta segunda-feira (28) para levar o filho, João Pedro Gomes, 10, ao Instituto Mano Down, localizado no bairro Floresta, região Leste de Belo Horizonte.
“A partir dessa semana começa o atendimento dele no instituto e a gente tem que usar o metrô, mas esse horário que eles estão funcionando não nos atende, então o jeito vai ser pegar dois ônibus para chegar” descreve a mãe.
Mesmo em greve, o metrô tem funcionado em escala reduzida, das 10h às 17h. Horário que não atende o auxiliar de serviços gerais Vagner Rodrigues, 50. “Tá difícil. Com o fechamento do metrô às 17h eu tô tendo que pegar três conduções para voltar pra casa. Geralmente eu chegava em casa às 23h, agora não chego antes de 0h20”, lamenta o homem.
Patrão avisado
Com o metrô em greve e o atraso dos ônibus, o barista Cristiano Rodrigues, 34, deixou o patrão avisado dos possíveis imprevistos para chegar ao trabalho.
“Pego o transporte público todo o dia e como as coisas não estão funcionando, já deixei o chefe avisado de que a hora que eu chegar é isso mesmo. Quem sai prejudicado com isso é a gente que tá trabalhando”, diz o barista.
No trabalho do vigilante Evandro Rocha, 43, os atrasos também já foram comunicados a chefia. “Sem o metrô, o ônibus tá demorando duas horas pra passar e ainda vem lotado. Então nessa complicação não tem jeito. Tô atrasando e o pessoal do serviço já tá sabendo que é por causa da situação do transporte”, diz Evandro.
Nos ônibus, a crise da alta de combustíveis tem prejudicado o cumprimento do quadro de horários. Por mais que a prefeitura de Belo Horizonte negue que as escalas no transporte público estejam reduzidas, os usuários do sistema de ônibus relatavam que as viagens estão atrasadas e os veículos só circulam lotados.
Saída
Para quem precisa do metrô e os horários de funcionamento durante a greve não são suficientes, o jeito tem sido contar com a linha especial criada especialmente para atender os usuários nesse período.
É a linha E019, que parte da estação Eldorado, em Contagem, na região Metropolitana de Belo Horizonte, e tem como itinerário as estações do metrô até o Centro da capital. O coletivo opera das 5h30 às 09h59, e das 17h01 às 23h59. A passagem custa R$ 4,50 e os passageiros que utilizam a integração pagam o valor conforme a linha integrada.
A fim de minimizar os impactos da falta de metrô em Belo Horizonte, a BHTrans notificou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) para ocorra o reforço no quadro de horários de algumas linhas.
Em nota, a empresa que gerencia o trânsito na capital informou que as viagens de reforço serão realizadas nas Estações Vilarinho e São Gabriel. Caso o serviço continue ruim na segunda-feira (28), os passageiros que utilizam a linha 62 (Venda Nova/Savassi) prometem fechar estação do Move em uma manifestação.
Fonte: O Tempo

