O Hospital Regional de Barbacena (HRB), unidade vinculada à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou na última quinta-feira, dia 25 de setembro, a sua primeira captação de córneas em doador com coração parado. Este marco representa um avanço significativo nas ações do Plano Estadual de Doação e Transplantes (PEDT) de Minas Gerais, que tem como objetivo ampliar a captação de órgãos e salvar mais vidas. O plano prevê, entre outras medidas, o fortalecimento das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) e a capacitação de equipes hospitalares para a realização desse tipo de procedimento.

O presidente da CIHDOTT do HRB e integrante da equipe responsável pela enucleação, Marcio Antonio Resende, destacou a importância do momento para a unidade e para o estado. “Este primeiro foi um momento de muita emoção para a nossa equipe. Tenho certeza que foi apenas o início de muitos e que poderemos contribuir com a diminuição da fila de espera por córneas em Minas Gerais”, comemorou.

A enucleação, que consiste na remoção cirúrgica completa do globo ocular, foi realizada em uma paciente que já havia manifestado à família o desejo de ser doadora. A enfermeira Tânia Michele da Costa ressaltou o comprometimento da equipe durante todo o processo. “O processo foi conduzido com muita dedicação, cuidado e respeito por toda a equipe envolvida, garantindo que cada etapa fosse realizada com excelência e humanização, reafirmando nosso compromisso com a vida e com o bem-estar dos nossos pacientes”, afirmou.

Antes, em casos de doadores com coração parado, era necessário que o Banco de Olhos de Juiz de Fora realizasse o procedimento, o que dificultava a operação devido ao tempo de deslocamento. Márcio explicou a importância da realização local. “Como todo o procedimento deve ser feito em até seis horas após o óbito, com a equipe presente no hospital, a abordagem ocorre de forma mais rápida, com mais chance de aceitação da família e realização em tempo hábil”, explicou.

A enfermeira Claudia Campos Alves, da Unidade de Internação, reforçou a importância da conversa prévia com familiares sobre a doação. “Me sinto muito orgulhosa em poder participar do processo. Essa doação vai mudar a vida de pessoas que aguardam na fila de espera. Por isso, não se deve esquecer de sempre conversar a respeito do assunto com os familiares, pois são eles quem precisam autorizar o procedimento”, disse. Atualmente, 45% das famílias não autorizam a doação, o que reforça a necessidade de conscientização.

Foto: HRB / Divulgação

 


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