A imprensa erra ao noticiar que o presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas às meninas venezuelanas que ele difamou, ao considerá-las prostitutas durante um encontro na periferia de Brasília no qual ele diz que “pintou um clima”.

Ao tratar como desculpa uma retratação que não ocorreu, a imprensa ajuda o presidente da República. O vídeo gravado hoje por Bolsonaro é uma tentativa canhestra de contenção de danos.

Na fala de hoje, Bolsonaro diz que suas declarações foram tiradas do contexto e, portanto, foram mal-entendidas.

“Se as minhas palavras, que por má-fé foram tiradas de contexto, de alguma forma, foram mal-entendidas ou provocaram algum constrangimento às nossas irmãs venezuelanas, peço desculpas”, afirmou num português de fazer inveja ao novo velho amigo Sergio Moro.

Francamente, isso é pedido de desculpa? Bolsonaro disse, literalmente, numa entrevista na última sexta-feira (14) que “pintou um clima” quando encontrou “meninas bonitinhas de 14, 15 anos” durante passeio de moto em Brasília em 2021.

Esse comentário sexualiza o encontro e tem, sim, cunho pedófilo. Não há outra leitura possível sobre as afirmações de um homem de 67 anos sobre o encontro com adolescentes.

Na entrevista de sexta, ele afirmou: “Meninas bonitinhas de 14, 15 anos se arrumando no sábado pra quê? Ganhar a vida”. Por ganhar a vida, entenda-se exploração sexual infantil.

O presidente da República não se desculpou por isso no vídeo que gravou ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro e da embaixadora fake da Venezuela no Brasil, Maria Teresa Belandria. Essa “embaixadora” é representante no Brasil da oposição venezuelana a Nicolás Maduro.

Numa outra entrevista, dada em 12 de setembro, Bolsonaro já havia falado do encontro com as “meninas bonitinhas de 13, 14 anos”. Ele indaga e responde: “Estavam se arrumando pra quê? Alguém tem ideia? (…) Pra fazer programa”.

No vídeo gravado hoje, o presidente tampouco se desculpou por essa afirmação difamatória e preconceituosa. Difamatória porque acusa menores de idade de se prostituírem. Preconceituosa por estranhar que meninas da periferia possam querer se arrumar num sábado, como se as garotas pobres que pintam seus rostos, fazem seus cabelos e colocam seus melhores vestidos só pudessem ser prostitutas.

Aliás, se fossem prostitutas, o que não são, deveriam ter sido protegidas por alguma ação do presidente da República. Afinal, eram menores de idade. Mas todos sabemos que Bolsonaro não se preocupa com nossas crianças e adolescentes.

Registro: Bolsonaro tampouco tem respeito por prostitutas, cidadãs como outras quaisquer e que não merecem ter um presidente da República com histórico de agressão às mulheres.

De volta ao caso das adolescentes venezuelanas, Bolsonaro fez afirmações de cunho pedófilo, difamatórias e preconceituosas. Essa figura abjeta deseja um segundo mandato e tem apoio significativo de parcela do eleitorado brasileiro. Em defesa das nossas crianças e adolescentes, é preciso impedir a reeleição de Bolsonaro.


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