Durante visita da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao município de Itueta, na região do Rio Doce, indígenas da etnia Puri reiteraram, nesta segunda-feira (11), a intenção de permanecer na área ocupada na Usina Hidrelétrica de Aimorés, onde estão desde setembro, na tentativa de retomar terras que pertenciam aos seus ancestrais. Cerca de 50 famílias participam da ocupação.
A empresa Aliança Geração de Energia, que administra a usina, obteve uma liminar determinando a desocupação da área em 15 dias, prazo que expira no próximo sábado (16). A empresa argumenta que o terreno ocupado, de 200 metros quadrados, está em uma Área de Proteção Ambiental (APA) sujeita a alagamentos, o que representaria um risco aos próprios indígenas, segundo Rubens de Souza, analista da empresa.
Liderados pelo cacique Washington Oswaldo Hoffmann e pela cacique Ednea Dias Sérgio Amon, os Puri defendem a permanência, afirmando que a área sempre pertenceu a povos indígenas que foram dispersados ao longo dos anos. “Não vamos sair porque nossa luta é pelo nosso povo e pelos nossos descendentes,” declarou Hoffmann.
A tentativa de retomar terras é parte de um processo que dura três anos, durante os quais a comunidade tentou obter apoio de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), sem sucesso. Ednea explica que a escolha da área da usina considerou a ausência de fazendeiros na região, para evitar conflitos.
A ocupação é apoiada pela Associação Estadual de Defesa Socioambiental (Aedas), que identificou diversas situações de vulnerabilidade enfrentadas pelas famílias, como falta de água potável, alimentos, acesso a serviços de saúde e educação, além de problemas de saúde entre os integrantes do grupo.
Diante das dificuldades, o deputado Leleco Pimentel (PT), que organizou a visita, comprometeu-se a buscar apoio de órgãos públicos para atender às necessidades dos Puri e afirmou que levará o caso ao presidente Lula e à ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. Segundo Pimentel, o caso representa uma violação de direitos humanos e exige reparação histórica, lembrando que os Puri foram dispersados de suas terras e considerados extintos no passado.
O deputado federal Padre João (PT-MG) também se comprometeu a dialogar com ministros, o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União para assegurar o direito dos Puri ao território. “O povo Puri tem identidade, modos de vida próprios e merece o direito à retomada de suas terras,” afirmou.
O povo Puri habitava uma vasta área entre o Espírito Santo e São Paulo, passando pelo interior de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Durante o século 18, a população Puri era estimada em 5 mil pessoas, mas, ao longo do tempo, sofreu massacres e escravidão, com a maioria sendo expulsa de suas terras.
Foto: Henrique Chendes

