O Instituto Nacional do Seguro Social decidiu reformular o Programa de Gerenciamento de Benefícios com o objetivo de reduzir o tempo de tramitação dos processos e enfrentar de forma mais eficaz a fila de requerimentos. As mudanças foram oficializadas por meio de normas publicadas no Diário Oficial da União e passam a valer em todo o país.

A principal alteração é a criação de uma fila nacional unificada, que substitui o modelo regionalizado adotado até agora. A nova lógica permitirá que servidores de unidades com melhor desempenho e menor volume de pendências atuem diretamente na análise de processos de regiões onde a espera é mais longa. A medida busca otimizar a força de trabalho disponível e distribuir a demanda de maneira mais equilibrada.

Segundo o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Gilberto Waller, a mudança tem foco claro nos benefícios com maior concentração de pedidos. “A ideia é que a força de trabalho das regiões com melhores indicadores possa atuar nos processos daqueles que estão esperando mais tempo. Além disso, nós focamos naqueles benefícios que possuem maior número de pessoas aguardando”, afirmou.

Dados do Relatório da Fila do INSS, divulgado em outubro de 2025, indicam que o tempo médio de concessão de benefícios caiu para 35 dias. O número representa uma melhora significativa em relação ao pico registrado em março do ano passado, quando a espera média chegou a 64 dias. Apesar do avanço, a direção do instituto avalia que ainda há espaço para reduzir o prazo.

De acordo com Waller, o esforço será concentrado principalmente nos benefícios que respondem pela maior parte da fila. “Essa é a prioridade para a gente atacar essa fila de verdade: tais como os casos do BPC e os benefícios por incapacidade. Isso representa quase 80% da nossa fila e esses são aqueles que vamos atacar prioritariamente”, explicou.

O Programa de Gerenciamento de Benefícios foi criado pela Lei 15.201 de 2025 com a finalidade de acelerar a análise e a revisão de benefícios previdenciários e assistenciais. A iniciativa prevê o pagamento de bônus a peritos e servidores que realizarem atividades além da capacidade regular de trabalho, mecanismo conhecido como Pagamento Extraordinário do Programa de Gerenciamento de Benefícios.

Esse pagamento adicional também passou por ajustes, com a definição de limites diários, regras mais rígidas de participação e critérios de controle de qualidade, para garantir maior eficiência e segurança nas decisões administrativas.

Em novembro de 2025, diante de um aumento de 23% no volume de novos processos ao longo do ano, o INSS instituiu ainda um comitê estratégico permanente. O grupo é responsável por monitorar indicadores, avaliar resultados e propor novas soluções para reduzir de forma contínua a fila de requerimentos em todo o país.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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