Os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira totalizaram US$ 82,3 bilhões de janeiro a novembro deste ano, informou nesta quarta-feira (21) o Banco Central.

Trata-se do maior patamar para este período desde 2012 (US$ 87,5 bilhões). Em 2021, o ingresso de investimentos diretos, até novembro, totalizou US$ 51,6 bilhões. A série histórica do BC para esse indicador tem início em 1995.

Somente em novembro, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$ 8,3 bilhões, contra US$ 5 bilhões no mesmo ano de 2021.

A entrada de investimentos estrangeiros mostra que estrangeiros estão realizando investimentos produtivos no país, o que demonstra confiança na economia brasileira.

Apesar da desaceleração, o Produto Interno Bruto (PIB) ainda exibe números positivos enquanto o resto do mundo teme por uma recessão (com a alta de juros para combater a inflação e crise energética na Europa, consequência da guerra na Ucrânia).

Em doze meses, os investimentos estrangeiros somaram US$ 77,1 bilhões até novembro deste ano, contra US$ 73,8 bilhões no mês anterior (outubro).

Em todo o ano passado, os investimentos estrangeiros no país totalizaram US$ 46,44 bilhões. A previsão do BC, já ultrapassada, era de de que, em 2022, eles chegariam a US$ 80 bilhões.

Ainda de acordo com o BC, as contas externas do país registraram um déficit de US$ 44,6 bilhões nos onze primeiros meses do ano, com aumento de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (-US$ 38,6 bilhões).

O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

Apesar do aumento no rombo das contas externas, os investimentos estrangeiros diretos na economia foram suficientes para “financiar” o resultado negativo.

De acordo com o BC, o aumento no déficit das contas externas na parcial de 2022 está relacionada, principalmente, a uma piora na conta de serviços (mais gastos no exterior, incluindo viagens) e de renda (aumento das remessas ao exterior pelas empresas).

Somente em novembro, o déficit nas contas externas somou US$ 60 milhões, contra o resultado negativo de US$ 8,5 bilhões no mesmo mês do ano passado.
Para todo ano de 2022, a expectativa do Banco Central é de uma piora nas contas externas.

A estimativa da instituição é de um déficit de US$ 60 bilhões. Se confirmado, será o maior desde 2019 (-US$ 65 bilhões), ou seja, em três anos.

Segundo informações do Banco Central, os gastos de brasileiros com viagens ao exterior somaram US$ 1,08 bilhão em novembro deste ano, com alta na comparação com o mesmo mês do ano passado (US$ 618 milhões) – quando o país enfrentava uma fase mais dura da pandemia de Covid-19.

Já no acumulado dos dez primeiros meses deste ano, ainda segundo o BC, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 11,13 bilhões. Isso representa um aumento de 149% na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 4,46 bilhões).

Os números do BC mostram que os gastos de brasileiros no exterior ainda não retomaram o patamar de antes da pandemia, iniciada em março de 2020.

Antes da Covid-19, as despesas geralmente ficavam acima de US$ 1,3 bilhão por mês, podendo superar US$ 2 bilhões em meses de alta temporada.

As despesas de brasileiros lá fora são influenciadas por alguns fatores, como o nível de atividade econômica e o preço do dólar, usado nas transações internacionais.

Passagens e despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira. Com isso, quando o dólar está alto, os brasileiros acabam gastando mais com esses itens.


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