A primeira-dama Janja disse que, embora não participe das reuniões do presidente Lula (PT) com os ministros, ela conversa com o marido sobre questões relativas ao governo e destacou que, quando se sente incomodada com algo, faz questão de questionar.

Janja afirmou que não ocupa os “espaços de decisão” dos encontros entre Lula e os ministros, mas ressaltou que no convívio do lar, os dois falam sobre política. As declarações foram em entrevista à revista Ela.

“Minhas conversas com o presidente são dentro de casa, no nosso dia a dia, no fim de semana, quando a gente toma uma cerveja. Quando estou incomodada, vou lá e questiono. Não é porque eu sou mulher do presidente que eu vou falar só de marca de batom”, disse Janja, primeira-dama.

“Vou continuar ao lado do presidente, porque acho que é esse o papel que tenho que desempenhar. Não é uma questão de ser eleita ou não. Existem ministros que concorreram e ganharam a eleição ao Senado ou à Câmara, mas a maioria não foi eleita e está lá”.

Falam muito de eu não ter um gabinete, mas precisamos recolocar essa questão. Nos EUA, a primeira-dama tem. Tem também agenda, protagonismo, e ninguém questiona. Por que se questiona no Brasil? Vou continuar fazendo o que acho correto. Sei os limites. Eu quero saber das discussões, me informar, não quero ouvir de terceiros”, afirmou Janja, primeira-dama.

Entusiasta da presença feminina no governo, Janja afirmou manter “fortes” debates com Lula para que mais mulheres ocupem posições de destaque, mas ponderou que demissões “fazem parte”, em referência ao fato de três mulheres em lideranças no governo terem sido destituídas de seus cargos para dar lugar ao centrão.

Lula já demitiu três mulheres do alto escalão do governo. A ex-presidente da Caixa Rita Serrano foi a terceira mulher a ser substituída por um homem no governo. Anteriormente, o presidente já trocou Daniela Carneiro por Celso Sabino no Ministério do Turismo e Ana Moser por André Fufuca no Esporte.

Janja ainda afirmou que não aceita ter que andar “atrás” de Lula, porque seu lugar é “ao lado dele”, algo de que, segundo ela, o petista faz questão. Por fim, ela disse que mantém maior proximidade com as ministras das Mulheres e da Igualdade Racial, Cida Gonçalves e Anielle Franco, respectivamente, e citou como inspiração a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama.

Michelle Obama. Não tem como não falar dela. Tem tantas mulheres que participaram da História do Brasil e estão ocultas, desde Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Berta Luz, que assinou a declaração universal dos direitos humanos na ONU”, concluiu Janja, primeira-dama.


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