O ex-ministro José Dirceu (PT) fez duras críticas ao Congresso Nacional neste domingo (21), durante manifestação de apoiadores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada em Brasília e em outras 30 cidades do país. “Temos que tomar consciência de que para mudar este País, temos que mudar o Congresso Nacional”, declarou Dirceu, em discurso no palanque do ato.
A mobilização teve como foco protestar contra a chamada PEC da Blindagem, aprovada na Câmara dos Deputados na última semana, e contra a tentativa de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
Dirceu afirmou que os parlamentares têm se recusado a votar projetos do governo Lula que, segundo ele, “protegem a economia popular”, como o da isenção do Imposto de Renda para salários de até cinco mil reais e o que propõe o fim da escala de trabalho seis por um. “É hora de cobrar impostos dos ricos, do BBB”, disse, em referência ao mote usado pelo PT contra Bilionários, Bancos e Bets.
Ele também defendeu união política para enfrentar a extrema direita e os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Precisamos de unidade entre nós, contra o que a família Bolsonaro está fazendo, contra o que a extrema direita está fazendo, contra o que Tarcísio de Freitas e outros governadores estão fazendo, apoiando Trump, traição nacional. Quero saudar cada companheiro que veio aqui com a certeza de que vamos derrotá-los e reeleger Lula”, afirmou Dirceu.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também participaram da manifestação. Pimenta criticou a PEC da Blindagem e a anistia, destacando a insatisfação popular. “É um tapa na cara da sociedade votar essas duas matérias. São propostas de alta rejeição que provocam essa reação. Há muito tempo não via em Brasília um ato tão grande”, disse.
Os manifestantes se reuniram nas imediações do Museu Nacional e seguiram em passeata até a frente do Congresso, carregando faixas com mensagens como “sem anistia para golpista”, “Congresso inimigo do povo” e “não à PEC da Bandidagem”.
Houve também críticas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que pautou a votação da urgência do projeto da anistia, agora chamado de “PL da Dosimetria” pelo relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi igualmente alvo dos manifestantes, que o associaram ao bolsonarismo.
Foto: Vinícius Valfre e Bruno Nogueirão

