Ainda sem confirmações sobre candidatura ou não ao governo de Minas, o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), afirma que está disposto a dialogar com forças nacionais da política. Em entrevista concedida à imprensa nesta terça-feira (15), Kalil reafirmou a vontade de conversar com Lula, nome forte para a corrida presidencial, mas não garantiu prazos.

“Vai ser um prazer conversar com todo mundo, especialmente o presidente Lula. Ele está liderando as pesquisas, tem um histórico e uma posição social muito claros”, afirmou o prefeito.

Na semana passada, em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula havia reforçado o interesse em dialogar com Kalil. “Com quem podemos fazer aliança hoje em Minas Gerais? É com o Kalil. É uma figura de projeção, companheiro que está governando bem BH, mais próximo de enfrentar o atual governador, então acho que o PT precisa tentar construir isso”, disse o ex-presidente na ocasião.

Prioridades

Entretanto, Kalil ainda não sabe quando ou como a conversa pode acontecer. Mesmo sendo nome cotado para o governo de Minas, o chefe do Executivo de BH explicou que não quer deixar as prioridades de lado na capital para tratar de outros assuntos.

“Agora, nossa preocupação é resolver o problema da passagem [em pauta na Câmara Municipal], e não tem como encontrar com ninguém por agora. Hoje mesmo, tenho reunião depois das 19h, mas é o que precisamos fazer. Temos que cuidar da cidade primeiro”, reforçou.

Durante visita ao Centro de Saúde Ventosa, inaugurado neste mês no bairro Jardim América, ele ainda brincou: “Não é o melhor prefeito do mundo, mas está muito arrumadinho por aqui”.

Kalil critica Copasa

O prefeito de Belo Horizonte criticou a gestão da Copasa e a falta de investimento na empresa. Segundo ele, o dinheiro que deveria ser usado para remediar situações, como o atual rodízio de abastecimento na Região Metropolitana, acabou “nas mãos de empresários”.

A declaração foi dada em entrevista concedida à imprensa na manhã durante visita ao novo Centro de Saúde Ventosa, no Jardim América, região Oeste de BH.

“Vou resumir para vocês o que eu acho: todo mundo sabe que não teve planejamento e que o pessoal não sabe fazer o que faz. Saquearam a Copasa, bateram a carteira na Copasa. Se me explicarem como que distribuíram R$ 1 bilhão para empresários, eu fico satisfeito”, afirmou o prefeito, sem dar detalhes.

Segundo Kalil, o problema de desabastecimento que atinge diversos bairros de BH não teria acontecido se a gestão tivesse nas mãos da PBH. Além da crítica à gestão privada, ele lamenta que a população tenha que “pagar o preço” neste momento.

“Desse bilhão, metade foi para a iniciativa privada, e depois vem gente falando que tem que investir. O poder privado botou a mão em R$ 500 milhões de bonificação e não investiu esse dinheiro. Agora quem sofre é a população”, pontua.

Em nota, a Copasa reafirmou que o desabastecimento que atingiu cidades da Grande BH “não tem relação com a distribuição de dividendos”. A empresa explica que “vem buscando dar solução de forma ágil e eficiente aos desafios operacionais existentes, que não são poucos”.