Ao migrar do PV para o PSD, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Agostinho Patrus, carimbou a vaga de vice-governador na chapa a governador de Alexandre Kalil (PSD). A mudança vai garantir também uma formação puro-sangue, que terá Kalil para governador, Agostinho para vice e o atual senador Alexandre Silveira ao Senado. Todos do PSD. Com isso, tentam barrar a entrada do PT na chapa majoritária.

Aliado, o presidente da Assembleia sempre foi o preferido de Kalil para a vaga de vice, mas sua permanência no PV poderia trazer riscos. O PV deverá integrar a formação de uma federação de partidos, expediente que é novidade para essa eleição, liderada pelo PT, com a participação do PSB e do PCdoB.

Uma vez formalizada, a federação poderia apoiar Kalil e indicar o vice ou o senador. Para não ficar nãos mãos do PT, Agostinho filiou-se ao PSD de Kalil no último dia do prazo permitido, nessa sexta (1º).

Petistas cobram vaga ao Senado

Os petistas reivindicam a vaga de senador nessa composição em troca do apoio que, juntos com o candidato presidencial Lula, darão a Kalil. A pressão irá continuar já que a oficialização da chapa só acontece em junho, nas convenções partidárias, mas ficou mais difícil com o fato consumado que o PSD quer estabelecer.

A pressão é maior por parte do PT mineiro, que indicou o deputado federal Reginaldo Lopes para ser candidato ao Senado. O ex-presidente Lula já se manifestou mais de uma vez, durante entrevistas para emissoras de rádio de Belo Horizonte, pedindo maturidade aos petistas.

Reafirmou que o mais importante seria é a aliança com Kalil embora tenha manifestado apoio à reivindicação petista. Alguns aliados consideram que Reginaldo Lopes, como candidato a deputado federal, poderia ser bom puxador votos para eleição de deputados federais pelo PT.

Quem precisa de quem?

Para os petistas, hoje, Kalil precisa mais de Lula do que o contrário, já que o ex-presidente lidera as pesquisas para a eleição presidencial no país e em Minas. Já o ex-prefeito de BH está em desvantagem nas pesquisas perante o governador Romeu Zema (Novo), candidato à reeleição.

De acordo com a primeira pesquisa do instituto mineiro Quaest, 40% do eleitorado mineiro preferem que o futuro governador de Minas seja ligado ao ex-presidente Lula. Outros 36% querem uma associação com a terceira via, ou seja, nem com Lula ou Jair Bolsonaro (PL). Uma terceira parte, de 20%, defende aproximação com Bolsonaro.

Pacheco abençoa a formação

Para evitar as amarras de Kalil com o PSD, que impõe a candidatura de Alexandre Silveira ao Senado, Lula chegou a incentivar a filiação dele no PSB. O presidente dessa legenda, Carlos Siqueira, esteve em BH, onde almoçou com Kalil na quinta (31), mas as conversas não evoluíram. Kalil também não quis ficar nas mãos de Lula.

No dia seguinte, ele e Agostinho Patrus foram a Brasília e posaram para fotos ao lado de Alexandre Silveira e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que abençoou a composição.

“A eles [Kalil, Agostinho e Silveira], pré-candidatos nas próximas eleições, caberá a missão principal de apresentar um grande projeto para Minas”, disse Pacheco na sexta (1). “O PSD se fortalece. Estamos unidos”, assinalou. Foi a senha para consolidar a formação sem a presença e pressão do PT mineiro na chapa majoritária.

 Fonte: Jornalista Orion Teixeira