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Por Marco Aurelio Carone

No momento que o Novojornal prepara-se para publicar a segunda parte da matéria, “Alexandre Kalil, o que esperar na eleição para governador”, o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais, pede a Polícia Federal para instaurar inquérito para apurar a possível ligação do ex-prefeito com o setor de transporte de passageiros da capital mineira.

O ex-prefeito, hoje pré-candidato Kalil, em sua trajetória de presidente do Clube Atlético Mineiro à Prefeitura de Belo Horizonte, colecionou uma série de opositores, devido ao seu jeito de administrar.

No Clube Atlético Mineiro, opôs-se ao esquema comandado pelo banqueiro Ricardo Guimarães, dono do Banco BMG, porque Guimarães queria unir-se a Ricardo Teixeira, da CBF, dirigente que, após uma série de denúncias e a investigação, inclusive, do FBI sobre o esquema de corrupção na FIFA e na CBF, renunciou em 2012 e em 2019, foi banido do futebol profissional e multado em um milhão de francos suíços, após julgamento pela FIFA.

A este respeito, o ex-deputado Aldo Rebelo apresentou a síntese de partes do Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, que investigou as relações entre a CBF e a multinacional Nike (CPI CBF-Nike), escreveu:

“O GRANDE CAPITAL DESCOBRE O FUTEBOL

A mercantilização do esporte, e em particular, do futebol criou, nos últimos anos, uma situação nova em que grande fluxo de capitais passou a envolver as atividades esportivas. A venda de direitos de uso de imagem de seleções, clubes e jogadores a empresas de produtos esportivos e outros, a venda dos direitos de transmissão de jogos por TV, rádio, Internet etc.; as transferências de jogadores entre clubes e de um país a outro, tudo isso, somado, superou em muito a antiga fonte de recursos que era a renda resultante da venda de ingressos nos estádios.”

A CPI da CBF-Nike, que contou com declarações de Zagallo, João Havelange e do atacante Ronaldo, Ricardo Teixeira foi acusado por Aldo Rebelo de fazer complô para tentar enfraquecer o trabalho da CPI, inclusive, em janeiro de 2002, Teixeira obteve liminar da Justiça proibindo a impressão e distribuição do livro “CBF-Nike”, de autoria dos deputados Sílvio Torres e Aldo Rebelo.

Já na administração municipal de Belo Horizonte, o pré-candidato, em função da Covid, tomou medidas que contrariaram os empresários, e ao aprovar o novo Plano Diretor de Belo Horizonte, chocou-se com setor da construção civil, em especial com o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, e o líder da área, Rubens Menin, dono da MRV, empresário que junto com o banqueiro Ricardo Guimarães, sob a justificativa de investidores, controlam o Clube Atlético Mineiro, efetuando operações financeiras questionáveis, que serão objetos de uma série de reportagens do Novojornal.

Na Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereadores sabidamente defensores dos interesses dos opositores de Kalil, instauraram uma CPI, tendo como justificativa investigar a relação da prefeitura com o setor de transporte de passageiros, em função da celebração de Termo Aditivo assinado entre a Transfácil e as Secretarias Municipais de Fazenda e de Planejamento, possibilitando a compra antecipada de créditos de vale-transporte.

Valores que estão sendo devolvidos a PBH, como acordado em Audiência de Conciliação, realizada no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para Demandas Territoriais, Urbanas e Rurais e de Grande Repercussão Social – Cejusc Social de 2° grau e conduzida pelo 3° vice-presidente do Tribunal de Justiça de Minas.

Como noticiamos na matéria anterior, a CPI seria o ovo da serpente, a ser utilizada contra Kalil durante o processo eleitoral. O ovo eclodiu, é o primeiro bote da serpente foi a denúncia do procurador Glaydson Massaria, do Ministério Público de Contas, contra o ex-prefeito, alegando que o mesmo teria realizado a manobra apelidada de “pedalada fiscal” para encobrir rombo de mais de R$ 20 bilhões dos cofres públicos.

Além de ser um termo midiático, utilizado como justificativa do golpe para derrubada de Dilma Rousseff, segundo nota da PBH, “O cálculo foi devidamente registrado na contabilidade do plano e a ausência de registro no passivo do Ente foi expressamente recomendada pela Secretaria de Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Economia”

O segundo, foi o pedido do Ministério Público Eleitoral para que a Polícia Federal investigasse o pré-candidato pelas práticas apuradas na CPI da Câmara Municipal. Porém, os fatos ocorridos após a saída de Kalil da prefeitura para disputar o Governo de Minas Gerais, traz à luz o que estava por traz de tudo, o seu principal acusador de favorecer o setor de transporte, vereador Gabriel Azevedo, passou a ser o principal defensor do pagamento de um subsídio de R$ 237,5 milhões, para as empresas, sem qualquer devolução dos valores, inclusive foi um dos três vereadores que subscreveram o acordo.

Evidente que Azevedo é apenas um instrumento utilizado pelo banqueiro e empresários contrários a Kalil, aliado ao deputado Marcelo Aro, que está cotado para ser vice na chapa de Romeu Zema e integra a direção da CBF, entidade a pouco citada. Aro e sua família dominam a Federação Mineira de Futebol desde o golpe de 1964.

A requisição feita em 8 de abril, pela promotora de Justiça Marta Alves Larcher, do Ministério Público Eleitoral, à Polícia Federal, fundamentou-se no depoimento do ex-chefe de gabinete de Kalil, Alberto Lage, que esteve na Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, do Ministério Público Estadual de Minas Gerais, em 26 de outubro de 2021, para prestar um depoimento espontâneo.

O seu depoimento teria sido compartilhado com o Ministério Público de Contas (MPC), e o procurador Glaydson Massaria – que já denunciara Kalil – remeteu a documentação à Procuradoria Regional Eleitoral no Estado de Minas Gerais.

O procurador é citado no relatório final como fonte de informação da CPI, porque vinha se opondo ao acordo celebrado no TJMG.


Desta forma, cabe a pergunta. Porque só agora encaminhou a denúncia e em especial para o Ministério Público Eleitoral?

Tão logo saiu da prefeitura de BH, Alberto Lage foi nomeado Assessor Parlamentar da Câmara Municipal de Belo Horizonte, para trabalhar no gabinete do vereador Gabriel Azevedo.


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