O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, nomeou a juíza Renata Gil para comandar a recém-criada Diretoria de Assuntos Internacionais da Corte. A decisão foi oficializada na última quarta-feira (27) e marca uma das primeiras medidas administrativas adotadas por Kassio desde que assumiu a presidência do tribunal, em 12 de maio.
Magistrada da Justiça do Rio de Janeiro desde 1998, Renata Gil possui ampla experiência na área eleitoral e no associativismo da magistratura. Ela foi presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) entre 2020 e 2022, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Antes disso, comandou por dois mandatos consecutivos a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj).
Para assumir a nova função no TSE, Renata deixou o cargo de assessora do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto. Ela passará a atuar diretamente vinculada à presidência da Corte Eleitoral, com a missão de ampliar o diálogo institucional com organismos internacionais e fortalecer a participação de observadores estrangeiros nos processos eleitorais brasileiros.
Nos bastidores, Kassio Nunes Marques tem defendido a criação da diretoria como uma forma de ampliar a transparência das eleições e estreitar relações com instituições internacionais interessadas em acompanhar o sistema eleitoral brasileiro. Segundo interlocutores do ministro, a experiência de Renata Gil na condução de entidades da magistratura e sua atuação em iniciativas ligadas à observação eleitoral contribuíram para a escolha.
A magistrada também participou de ações de observação das eleições brasileiras em parceria com ministros do Supremo Tribunal Federal e do próprio TSE. Ao comentar sua nomeação, Renata destacou sua trajetória profissional e respondeu a questionamentos relacionados à sua vida pessoal.
“Sou juíza há 28 anos, fui juíza eleitoral por 17 anos, conduzi as eleições no meu estado durante um período eleitoral inteiro. Também fui condutora da observação eleitoral em 2022. E a minha história se resume a ser namorada do ministro Dias Toffoli?”, afirmou.
Renata é companheira do ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal. A magistrada ressaltou, contudo, que sua indicação está relacionada à experiência acumulada ao longo de quase três décadas na magistratura e à atuação em temas ligados à Justiça Eleitoral.
A nomeação ocorre em um momento de preparação do TSE para as eleições de 2026. Kassio Nunes Marques tem manifestado preocupação com a polarização política e com possíveis ataques ao sistema eleitoral brasileiro. O ministro já afirmou que pretende conduzir a Corte com um perfil baseado no diálogo e na construção de consensos.
Durante sua posse na presidência do tribunal, Kassio defendeu as urnas eletrônicas e ressaltou a confiabilidade do sistema de votação utilizado no país.
“O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à recepção, à apuração e à divulgação dos votos, nosso sistema é o mais avançado do mundo”, declarou o ministro.
Com a criação da Diretoria de Assuntos Internacionais, o TSE busca ampliar sua interlocução com instituições estrangeiras e reforçar a imagem do sistema eleitoral brasileiro no cenário internacional.
Imagem: Reprodução/AMB

