A subprocuradora-geral Lindôra Araújo, que atuou como vice-procuradora-geral da República no governo Bolsonaro, não se manifestou sobre os encontros frequentes que teve com o então presidente, à época investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Procurada, Lindôra não respondeu.

No depoimento prestado à Polícia Federal em dezembro, Cid relatou que “o procurador Aras e a procuradora Lindôra” eram os membros da Procuradoria-Geral da República (PGR) que mais frequentemente se reuniam com Bolsonaro. O sigilo da delação foi retirado recentemente. Segundo Cid, Aras fazia contato direto com Bolsonaro antes dessas reuniões, algo incomum na prática institucional.

As reuniões fora da agenda oficial levantam questionamentos, uma vez que a PGR é responsável por conduzir acusações contra o presidente. Durante o governo Bolsonaro, ele era investigado no STF por várias infrações, como envolvimento com milícias digitais, interferência na Polícia Federal, participação em atos antidemocráticos e disseminação de fake news. Atualmente, Bolsonaro responde a dez ações no Supremo.

A delação de Cid embasou a denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Bolsonaro e 33 aliados no inquérito do golpe, apresentada em 18 de fevereiro. Segundo Gonet, desde 2021 Bolsonaro e auxiliares integraram uma organização criminosa para tentar um golpe de Estado.

O ex-procurador-geral Augusto Aras negou irregularidades e afirmou que a investigação de crimes do presidente cabe aos subprocuradores-gerais, que atuam de forma independente.

 

Foto: Gil Ferreira / Agência CNJ