Durante discurso no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), realizado nesta quinta-feira (18) em Goiânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem acusou de traição por apoiar as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele também ironizou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA sob a alegação de denunciar a situação do Brasil.

“Ele ainda vai ser processado pela COVID-19, por toda a gente que morreu pela irresponsabilidade dele. Agora fica pedindo para os Estados Unidos”, declarou Lula. “Quem se abraça na bandeira americana é patriota falso. Bolsonaro se abraça nela. Então transfira o título para lá e vá votar lá.”

O presidente também ironizou Eduardo Bolsonaro, referindo-se à campanha do deputado nas redes sociais pela libertação do pai, inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. “O filho dele fica com esse negócio de ‘liberta meu pai, liberta meu pai’. Eles têm que ser tratados por nós como traidores do século 20 e 21 da história desse país”, disse Lula. “Eles não tiveram preocupação com os prejuízos que essa taxação vai trazer ao Brasil, à indústria, ao agronegócio, com essa taxação que vai pesar no bolso do povo brasileiro.”

Em tom crítico, Lula também alfinetou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autor das novas tarifas. “Eu sou um cara que só fui comer pão aos sete anos de idade. Não vai ser um gringo que vai dar ordem para este presidente da República. Eu sei quem manda neste país. E essa pessoa se chama povo brasileiro”, afirmou.

O congresso da UNE, que neste ano tem como tema “O Brasil se une pela soberania”, reuniu cerca de três mil estudantes, conforme estimativa da entidade. O evento teve forte apelo político e estudantil, com pautas como o aumento de recursos para a educação pública e a implementação de restaurantes universitários acessíveis, os chamados “bandejões”.

O ministro da Educação, Camilo Santana, também discursou no evento e reforçou a defesa da soberania nacional frente às medidas anunciadas pelos Estados Unidos. “Precisamos de justiça tributária: os ricos devem pagar mais, os pobres menos. Só assim teremos mais recursos para investir na educação”, disse. “A outra luta fundamental é pela soberania. É injustificável a chantagem que Trump está tentando impor ao Brasil.”

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

 


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