O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que proibiu a entrada no Brasil do assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Darren Beattie, enquanto não forem liberados os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de seus familiares. A declaração foi feita durante agenda no Hospital do Andaraí, na cidade do Rio de Janeiro, onde Lula participou de evento ao lado do prefeito Eduardo Paes.
Durante o discurso, o presidente mencionou diretamente o assessor norte-americano e disse que não permitirá sua entrada no país enquanto persistirem restrições impostas pelos Estados Unidos ao ministro brasileiro. Segundo Lula, Padilha, sua esposa e sua filha tiveram os vistos bloqueados pelo governo norte-americano, o que motivou a decisão de impedir a visita do aliado de Trump.
Lula afirmou que tomou a decisão em resposta ao tratamento dado pelo governo dos Estados Unidos ao ministro da Saúde. “Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele, de dez anos”, declarou o presidente durante o evento.
O episódio citado por Lula ocorreu no ano passado, quando Alexandre Padilha desistiu de viajar para Nova York para acompanhar o presidente brasileiro na Assembleia Geral das Nações Unidas. Na ocasião, o ministro chegou a obter autorização para entrar no país, mas recebeu restrições impostas pelo governo norte-americano quanto à circulação na cidade.
As limitações estabeleciam que Padilha poderia transitar apenas em uma área restrita próxima ao local onde estaria hospedado. As regras também determinavam que seus deslocamentos deveriam ocorrer somente entre o hotel, a sede da Organização das Nações Unidas e representações diplomáticas brasileiras ligadas ao organismo internacional.
O ministro da Saúde estava com o visto norte-americano vencido desde dois mil e vinte e quatro e havia solicitado a renovação do documento no mês de agosto do mesmo ano. Diante das condições impostas para sua presença em Nova York, decidiu cancelar a viagem e permanecer no Brasil.
A controvérsia envolvendo a visita de Darren Beattie ao país também ganhou repercussão após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O assessor de Trump pretendia vir ao Brasil para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente custodiado, e chegou a solicitar autorização judicial para o encontro.
Inicialmente, Moraes havia autorizado a visita, mas posteriormente reconsiderou a decisão e indeferiu o pedido. O ministro justificou a mudança após receber informações do Ministério das Relações Exteriores sobre as condições do visto concedido ao assessor norte-americano.
Segundo documento enviado ao Supremo Tribunal Federal pelo chanceler Mauro Vieira, o visto concedido a Beattie estava vinculado exclusivamente à participação no Fórum Brasil Estados Unidos de Minerais Críticos, evento programado para ocorrer em São Paulo. O documento não mencionava qualquer agenda relacionada à visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na decisão, Moraes afirmou que a eventual visita ao ex-presidente não fazia parte do contexto diplomático que autorizou a entrada do assessor no país e tampouco havia sido comunicada previamente às autoridades brasileiras. O magistrado destacou ainda que novas solicitações de compromissos diplomáticos em Brasília foram apresentadas pela embaixada norte-americana somente após questionamentos do tribunal.
O chanceler Mauro Vieira também destacou, em seu ofício ao Supremo Tribunal Federal, que uma visita dessa natureza poderia ser interpretada como ingerência externa em um momento sensível da política brasileira, especialmente em período pré-eleitoral.
Ao comentar o tema durante o evento no Rio de Janeiro, Lula aproveitou para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O atual chefe do Executivo classificou o adversário político com termos duros e afirmou que sua gestão pretende priorizar políticas públicas voltadas à população.
No mesmo discurso, Lula elogiou programas do Sistema Único de Saúde e destacou o Mais Especialidade como uma das prioridades de sua administração. O programa busca acelerar o acesso da população a consultas e tratamentos especializados dentro da rede pública de saúde.
O presidente também comparou o sistema público brasileiro com o modelo norte-americano ao mencionar o prazo estabelecido para início de tratamento de pacientes com câncer na rede pública, que deve ocorrer em até sessenta dias. Lula afirmou que gostaria de ver líderes estrangeiros apresentarem garantias semelhantes aos cidadãos de seus países.
Durante a agenda, o presidente também fez referência às eleições previstas para outubro e criticou o que classificou como política baseada em desinformação e agressões. Segundo Lula, o país precisará escolher entre seguir um caminho de conflitos ou fortalecer políticas públicas voltadas ao atendimento da população.
Ao encerrar o discurso, Lula afirmou que espera que as experiências recentes sirvam de aprendizado para o país e reforçou que seu governo pretende ampliar serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, como forma de melhorar as condições de vida da população brasileira.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

