O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, deverá se reunir neste fim de semana com a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, para tentar convencê-la a disputar o governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A iniciativa ocorre após um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu lideranças petistas mineiras no Palácio da Alvorada, em Brasília, na quarta-feira. Durante o encontro, a direção do partido decidiu que lançará candidatura própria ao Palácio Tiradentes, encerrando as dúvidas sobre a estratégia eleitoral da legenda no Estado depois da desistência do senador Rodrigo Pacheco de participar da disputa.

Segundo participantes da reunião, a ampla maioria das lideranças presentes defendeu que Marília Campos seja a candidata do PT ao governo mineiro. Lula também teria manifestado disposição para recebê-la na próxima semana e participar diretamente das articulações políticas com partidos aliados, buscando ampliar a base de apoio da futura candidatura e construir um palanque competitivo para sua campanha à reeleição.

A decisão foi fortalecida após pesquisas internas encomendadas pelo partido indicarem que Marília apresenta desempenho consistente entre os nomes ligados ao campo da esquerda. Embora ainda apareça atrás do senador Cleitinho nas intenções de voto, os levantamentos mostram elevado índice de eleitores indecisos, cenário considerado favorável para o crescimento da petista ao longo da campanha eleitoral.

Apesar da pressão da direção nacional, Marília Campos mantém resistência à candidatura ao governo. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a ex-prefeita afirmou respeitar a decisão do partido de lançar candidatura própria, mas classificou a estratégia como um equívoco político. Segundo ela, uma disputa fortemente polarizada pode enfraquecer o campo democrático e popular em Minas Gerais, dificultando a formação de alianças capazes de sustentar o projeto político liderado pelo presidente Lula.

Na manifestação, Marília argumenta que o cenário mineiro exige diálogo, construção de consensos e composição entre diferentes forças políticas. Para a petista, a prioridade deve ser reunir os partidos que apoiam o governo federal em torno de um projeto comum para o Estado, evitando divisões que possam comprometer o desempenho eleitoral das forças progressistas nas eleições de 2026.

A ex-prefeita reafirmou ainda que sua única disposição política permanece sendo a disputa por uma vaga no Senado. Na avaliação dela, essa candidatura representaria a melhor contribuição para fortalecer o palanque de Lula em Minas Gerais e ampliar a representação do partido no Congresso Nacional. O comunicado também destaca que o momento exige responsabilidade política, capacidade de negociação e compromisso com uma alternativa viável para o Estado.

A definição pela candidatura própria ocorreu depois do fracasso das negociações entre o PT e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. A legenda avaliava que apoiar Kalil permitiria unir um nome competitivo para o governo estadual enquanto preservaria a candidatura de Marília ao Senado. As conversas, entretanto, perderam força porque Kalil pretende manter distância da disputa presidencial em 2026, estratégia diferente da adotada em 2022, quando fez campanha ao lado de Lula no segundo turno. Com esse cenário, a direção petista passou a concentrar seus esforços para convencer Marília Campos a liderar a chapa ao governo mineiro.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


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