Com a declaração de voto do empresário João Amoêdo, fundador do Novo, anunciada ontem em entrevista à Folha de S. Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma o apoio de 25 ex-presidenciáveis desde 1989, primeira eleição presidencial após a ditadura militar. O presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, tem seis apoios de ex-presidenciáveis.

Nas dez eleições desde a redemocratização, considerando o primeiro turno de 2022, 68 diferentes candidatos disputaram o cargo. Dentre eles, 48 ainda estão vivos. Os demais ou declararam voto nulo ou não se pronunciaram sobre a eleição de 2022.

Dos 13 candidatos de 2018, nove já declararam apoio a Lula e só Bolsonaro declarou apoio a ele mesmo.

Entre os 11 candidatos deste ano, cinco estão com Lula. Padre Kelmon (PTB) está com Bolsonaro. Felipe D’Ávila (Novo), José Maria Eymael (DC) e Soraya Thronike (União Brasil) declararam neutralidade.

Entre integração na chapa, apoio partidário ou mera declaração de voto, o petista tem a chancela de ex-ministros, aliados de longa data e até antigos opositores, como o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na mesma chapa, que concorreu na última eleição pelo PSDB, e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), adversária no primeiro turno deste ano.

O petista tem ainda o apoio de ex-candidatos em todas as eleições, enquanto Bolsonaro concentra atuais governadores e senadores que compuseram sua aliança nos âmbitos estaduais, como o senador Fernando Collor (PTB-AL), candidato derrotado ao governo de Alagoas.

Lula

O PT tem propagandeado uma “frente ampla pela democracia” em prol do nome desde o segundo semestre do ano passado, quando a aliança com Alckmin, antigo opositor, foi se consolidando. Às vésperas do primeiro turno, conseguiu reunir apoios importantes como da ex-ministra Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (União Brasil), ex-presidente do Banco Central.

Agora, no segundo turno, conseguiu ainda dos mais resistentes, como Amoêdo e o ex-deputado Eduardo Jorge (PV), opositor ao ex-presidente.

Veja a lista de ex-presidenciáveis que apoiam Lula:

Ciro Gomes (PDT): Presidenciável em 1998, 2002 e 2018, Ciro chegou à quarta eleição como promessa para “derrotar a polarização”. Ao longo da campanha, subiu cada vez mais o tom contra Lula, de quem foi ministro, e acabou em quarto, com 3% dos votos. Divulgou apoio ao PT por vídeo, dizendo seguir seu partido, porém sem citar o nome do ex-presidente.

Cristovam Buarque (Cidadania): Primeiro ministro da Educação de Lula, em 2003, Buarque deixou o governo e o PT em meio a denúncias de corrupção e discordâncias em relação a apertos econômicos que envolviam também sua pasta. Em 2006, concorreu à presidência pelo PDT, onde ficou até 2016. Crítico do petista, voltou a se aproximar do ex-chefe durante o governo Bolsonaro e declarou voto já no primeiro turno.

Dilma Rousseff (PT): Presidente eleita em 2010, reeleita em 2014 e impichada em 2016, Dilma foi ministra chefe da Casa Civil e de Minas e Energia de Lula. É uma das figuras mais aplaudidas em comícios e tem tido sua gestão defendida por Lula.

Eduardo Jorge (PV): Ex-petista, ele rompeu com o partido em 2005, durante o primeiro mandato de Lula, em meio a denúncias de corrupção. Candidato em 2014 pelo PV, acabou em sexto lugar. Em 2018, foi vice na chapa de Marina. Ele seguiu resistente, mesmo com a federação do partido com o PT, mas, após o primeiro turno, declarou voto em Lula, “contra Bolsonaro”, mas “mantendo independência política” em relação ao petista.

Fernando Gabeira (PV): Ex-petista, concorreu à presidência em 1989 pelo PV, afastou-se de Lula durante o primeiro mandato e se tornou crítico da gestão na TV. Em seus artigos na imprensa nesta ano, no entanto, vem declarando a necessidade de “derrotar Bolsonaro”.

Fernando Haddad (PT): Ministro da Educação de Lula, o ex-prefeito paulistano tornou-se o candidato do PT como substituto do ex-presidente em 2018. Haddad chegou a ir para o segundo turno com Bolsonaro, mas foi derrotado. Hoje, disputa o governo de São Paulo contra o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Fernando Henrique Cardoso (PSDB): FHC derrotou Lula em 1994 e 1998 no primeiro turno. Aliados e adversários históricos, os dois não tinham há anos uma relação mais íntima e voltaram a se reaproximar no ano passado. No primeiro turno, FHC divulgou uma nota declarando voto “pela democracia” e, no segundo, deu nome a Lula. Os dois se encontraram para uma foto no apartamento do tucano no início do mês.

Geraldo Alckmin (PSB): Depois de 33 anos no PSDB, o ex-governador paulista, que chegou ao segundo turno contra Lula em 2006 e teve apenas 4,7% dos votos em 2018, deixou o partido em dezembro do ano passado para se filiar ao PSB e ser alçado como vice na chapa de Lula.

Guilherme Boulos (PSOL): Principal entusiasta e influenciador do apoio do PSOL a Lula, fechado em abril, sem lançamento de candidatura própria ao Planalto, Boulos é um dos principais nomes da campanha lulista na cidade de São Paulo e foi eleito à Câmara dos Deputados por São Paulo.

Heloísa Helena (Rede): Petista histórica em Alagoas, foi vice-prefeita de Maceió, deputada estadual e senadora pelo partido, após deixa-lo em 2003, no primeiro ano do governo Lula. Ajudou a fundar o PSOL, por onde concorreu em 2006, e, em 2015, transferiu-se para a Rede. Seguiu como uma das vozes antipetistas dentro do partido e apoiou Ciro no primeiro turno. Como Eduardo Jorge, declarou voto “pela democracia”.

Henrique Meirelles (União Brasil): Presidente do Banco Central durante os oito anos de governo Lula (2003-2010), Meirelles tinha se afastado do ex-chefe. Em 2018, concorreu pelo MDB, mas obteve apenas 1,2% dos votos e, às vésperas do primeiro turno, integrou o grupo de apoio a Lula.

Ivan Pinheiro, Mauro Iasi e Sofia Manzano (PCB): Candidatos em 2010, 2014 e 2022, respectivamente, compõe o Partido Comunista, que declarou voto crítico em Lula “na luta pela democracia”.

João Amoêdo (Novo): Fundador do partido, sempre foi um grande crítico do PT e da esquerda. É a mais nova e uma das mais surpreendentes declarações públicas de apoio a Lula — contrariando a própria sigla, que segue neutra.

João Goulaart Filho (PCdoB): Último colocado na eleição de 2018, com 0,03% dos votos pelo PPL, o filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelo Golpe Militar de 1964, declarou voto no primeiro turno.

José Serra (PSDB): Adversário de Lula em 2002 e de Dilma em 2010, o tucano seguiu seu partido junto a Tebet no primeiro turno. Na semana passada, indicou apoio público a Lula por postagem no Twitter.

Léo Péricles (UP): Com apenas 0,1% dos votos no primeiro turno deste ano, Péricles se reuniu com Lula na semana passada para entregar propostas e declarar apoio.

Luciana Genro (PSOL): Fundadora do PSOL, Luciana deixou o PT, de onde era filiada desde a adolescência, em 2003, no primeiro ano de governo Lula. No primeiro evento do petista em Porto Alegre, em junho, ela não se mostrou muito entusiasmada com o apoio do PSOL à chapa — muito por causa do nome de Alckmin —, mas o tom mudou nas vésperas do primeiro turno.

Marina Silva (Rede): Ministra de Meio Ambiente de Lula por seis anos, deixou o governo e o PT em 2008 em meio a divergências internas. Rompeu inteiramente com o grupo de Lula após as eleições de 2014, quando concorreu pelo PSB, e declarou apoio a Aécio Neves (PSDB). Juntou-se de vez à campanha no meio de primeiro turno e foi eleita deputada federal por São Paulo.

Roberto Freire (Cidadania): Candidato pelo PCB em 1989, Freire se tornou grande liderança do PPS, hoje Cidadania, e não é próximo de Lula. No primeiro turno, compôs a candidatura de Tebet, mas anunciou apoio ao petista no dia seguinte à eleição.

Rui Costa Pimenta (PCO): Candidato em 2002, 2010 e 2014, é a principal liderança nacional do PCO, que desde 2018 não lança nome ao Planalto e apoia o PT, embora não faça parte da aliança lulista.

Simone Tebet (MDB): Terceira colocada nas eleições deste ano, com 4,2% dos votos, a senadora sul-mato-grossense tornou-se a expoente da chamada “terceira via”. Acenou apoio a Lula já no discurso em que reconhecia a derrota, no dia 2, e consolidou-o na semana seguinte, mediante à integração de propostas do plano de governo pelo petista.

Vera Lúcia e Zé Maria (PSTU): Ela candidata em 2018 e 2022, ele candidato de 1998 a 2014 (duas vezes contra Lula), também declararam, junto ao partido, “apoio crítico” ao petista “pela democracia“.

Bolsonaro

Eleito em uma onda antissistema em 2018, o presidente tem feito pouco movimento para reunir apoio de ex-presidenciáveis ou figurões de grandes partidos. Na primeira semana após segundo turno, conseguiu, no entanto, declaração de voto de diversos governadores eleitos, como o paulista Rodrigo Garcia (PSDB).

Entre os ex-candidatos ao Planalto, une nomes tradicionais da direta, como Collor e o governador goiano Ronaldo Caiado (União Brasil), à figuras da nova direita, como Kelmon.

Veja a lista de ex-presidenciáveis que apoiam Bolsonaro:

Espiridião Amin (PP): Sexto colocado à presidência em 1994 pelo PPR, o senador catarinense foi um dos quatro candidatos ao governo do estado neste ano que indicaram apoio a Bolsonaro já no primeiro turno. Ele acabou em quinto, com 9,7% dos votos, fora do pleito.

Fernando Collor (PTB): Presidente eleito pelo PTN em 1989, o senador alagoano esteve próximo do presidente durante todo o governo. Neste ano, decidiu se lançar ao governo do estado, em vez de concorrer à reeleição, como “o candidato de Bolsonaro”. Acabou em terceiro, também de fora do pleito.

Guilherme Afif (PSD): Candidato em 1989 pelo PL de Bolsonaro, Afif foi vice-governador de um mandato de Alckmin em São Paulo e, hoje, é uma das principais lideranças do PSD de Gilberto Kassab no estado. Neste ano, coordena a campanha de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes.

Pastor Everaldo (PSC): O pastor concorreu contra Bolsonaro em 2018 e, derrotado, declarou voto no segundo turno daquele ano. Ele já havia celebrado a cerimônia de batismo do presidente, então deputado, em Israel em 2016. O PSC juntou-se à aliança bolsonarista neste segundo turno.

Padre Kelmon (PTB): Escolhido para concorrer nesta eleição depois que o bolsonarista Roberto Jefferson (PTB) teve a candidatura impedida por estar em regime semi-aberto, Kelmon declara apoio ao presidente desde o primeiro turno, quando seu nome ainda constava na urna.

Ronaldo Caiado (União Brasil): Caiado anunciou apoio a Bolsonaro depois de ser reeleito governador de Goiás no primeiro turno. Ele concorreu à presidência em 1989 pelo PFL e foi eleito ao governo em 2018 na onda bolsonarista, mas tinha rompido com o presidente durante a pandemia.


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