A Rede Sustentabilidade terá liberdade para apoiar o pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PSD), mesmo com a federação da sigla com o PSOL, que tem como pré-candidata ao governo estadual a professora Lorene Figueiredo (PSOL).
Pela lei que criou as federações, os partidos precisam atuar como se fossem um só: ter um único candidato ao governo e também lançar apenas uma chapa para candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. Uma vez no parlamento, devem atuar de forma conjunta pelos próximos quatro anos.
Porém, na resolução em que a Rede e o PSOL concordaram em se federar, os partidos acertaram que em Minas Gerais e no Espírito Santo eles teriam liberdade para atuar de forma independente em relação a disputa pelo governo estadual. “(Nesses dois Estados) fica acordado que os partidos terão autonomia para desenvolverem a tática que considerarem mais conveniente”, diz o documento.
A Rede é aliada de primeira hora da carreira política de Kalil e apoiou o ex-prefeito de Belo Horizonte na primeira eleição dele, em 2016, repetindo a dose quatro anos depois. O presidente do partido em Minas, Paulo Lamac, foi vice de Kalil no primeiro mandato e atualmente ocupa o cargo de consultor especializado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte.
“É um lugar em que já existia uma situação política anterior, que os dois partidos têm que respeitar essa situação. Então está acordado o respeito a essa situação prévia (liberdade da Rede para apoiar Kalil)”, disse um dos coordenadores nacionais da Rede, Paulo Roberto Miranda, que participou diretamente das negociações para a federação com o PSOL.
“Alguns candidatos da Rede caminharão com a Lorene, mas a maioria caminhará com o Kalil. Até porque nacionalmente a federação apoia o PT, que em Minas provavelmente estará com o Kalil”, disse.
Autonomia
Do lado do PSOL, o arranjo também está sacramentado, segundo a vice-presidente do partido em Minas, Sara Azevedo: “A gente deliberou dentro do acordo político exceção de dois Estados, Minas e Espírito Santo, onde a tática eleitoral pode ser diferente”.
“A Rede tem uma certa autonomia dentro da federação. O PSOL lançou candidatura própria com a Lorena e estou na chapa como candidata ao Senado”, acrescentou Sara. Segundo ela, a vaga de vice na chapa ainda está em aberto.
A avaliação é que a federação pode conseguir eleger três deputados federais e quatro deputados estaduais. Pela Rede, devem sair como candidatos a federal, além de Lamac, o ativista Lucas Paulino e o ex-candidato a prefeito de Contagem, Kaká Menezes, que foi candidato ao Senado pela sigla em 2018.
A vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença (PSOL) será candidata a deputada federal. Já a também vereadora Bella Gonçalves (PSOL) avalia se disputa uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembleia. A única deputada federal do partido em Minas, Áurea Carolina (PSOL), não vai disputar nenhum cargo nessas eleições.

