O advogado-geral da União, Jorge Messias, consolidou apoio político significativo no Senado e já reúne 48 votos favoráveis à sua indicação para o Supremo Tribunal Federal. O número supera com folga o mínimo necessário de 41 votos entre os 81 senadores, o que coloca o nome do jurista em posição confortável às vésperas da sabatina.
A análise do cenário atual indica uma mudança expressiva em relação ao momento inicial de sua indicação. Em dezembro, Messias enfrentava forte resistência e tinha dificuldade para alcançar sequer 30 votos. Ao longo dos últimos meses, no entanto, ele conseguiu reverter esse quadro, ampliando alianças e reduzindo objeções tanto entre governistas quanto na oposição.
A sabatina está prevista para o dia 29, sob condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A expectativa é de um quórum elevado, fator que tende a favorecer a aprovação do indicado. A votação ocorrerá em um contexto político relevante, próximo à análise de temas sensíveis no Congresso, o que aumenta a atenção sobre o processo.
Parte do avanço de Messias é atribuída ao apoio de ministros do próprio Supremo, incluindo nomes indicados pelo governo anterior. A articulação envolvendo André Mendonça e Kássio Nunes Marques foi decisiva para abrir portas junto a partidos de oposição, como PL, PP e União Brasil. Esse movimento ampliou a base de sustentação do candidato além do núcleo governista.
Outro fator que contribuiu para a consolidação do apoio foi a interlocução com setores religiosos. Messias, que é membro da Igreja Batista, recebeu aval de lideranças evangélicas no Senado, especialmente após manifestações de confiança de André Mendonça. A sinalização de que não defenderá pautas consideradas sensíveis por esse grupo ajudou a reduzir resistências.Nos bastidores, o ministro Gilmar Mendes também atuou na articulação, dialogando com parlamentares e contribuindo para a construção de maioria favorável. Esse apoio reforçou a percepção de que a indicação ganhou respaldo institucional relevante dentro do Judiciário.
Por outro lado, a candidatura enfrentou oposição interna, especialmente do ministro Flávio Dino, que já atuou ao lado de Messias no governo federal. Mesmo após a formalização da indicação, Dino teria trabalhado para dificultar a consolidação do apoio político ao nome do advogado-geral da União.
O processo também passou por momentos de tensão no Senado. Davi Alcolumbre chegou a cogitar o adiamento da sabatina para depois das eleições, o que poderia abrir espaço para mudanças no cenário político e eventual revisão da indicação. A possibilidade foi descartada após rearranjos políticos que alteraram o equilíbrio de forças.
Comparações com votações recentes indicam que Messias pode alcançar um resultado expressivo. Indicações anteriores ao STF, como as de André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino, registraram votações relevantes, o que serve de parâmetro para o cenário atual.
Com a consolidação dos apoios e a proximidade da sabatina, Jorge Messias se aproxima de ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal, encerrando um período de articulação política que transformou um cenário inicialmente adverso em uma candidatura competitiva e praticamente viável.
Foto: Renato Menezes/AscomAGU

