Por Marco Aurelio Carone
Exemplo deste comportamento tipicamente mineiro é amplamente comprovado na história, da Guerra dos Emboabas, a Inconfidência Mineira, dentre outros. Inclusive, foi em função do primeiro que nasceu a expressão,“Minas Trabalha em Silêncio”, expressão que se tornou antipática em função da utilização da mesma pelos governantes do Golpe de 1964.
Em decorrência da Guerra dos Emboabas, em 1720, criou-se a capitania independente das Minas Gerais, que tinha como referência o cruzeiro colocado no Monte Caxambu. Para o Norte seria Minas, para o Sul, São Paulo, esta demarcação proporcionaria aos paulistas a posse de uma grande extensão de terra nas montanhas e as bacias dos rios Grande, Verde e Sapucay, território e mananciais do interesse de Minas.
Pacíficos e matreiros como são os mineiros, os membros da Câmara de São João Del Rei, sem estardalhaço, mudaram a posição do marco, levando-o para o alto da Serra da Mantiqueira, cerca de 80 quilômetros adiante, já no lado do Vale do Paraíba, a região conhecida hoje como “Terras Altas da Mantiqueira”.
O alardear das pesquisas de intenção de votos tem ocupado nas últimas semanas o noticiário da imprensa. Este instrumento estatístico, campo da matemática que relaciona fatos e números em que há um conjunto de métodos que possibilita coletar dados e analisá-los, assim sendo possível realizar alguma interpretação deles, a estatística é dividida em duas partes: descritiva e inferencial. A estatística descritiva é caracterizada pela organização, análise e apresentação dos dados, enquanto a estatística inferencial tem como característica o estudo de uma amostra de determinada população e, com base nela, a realização de análises e a apresentação de dados.
Como jornalisticamente o que importa é a parte inferencial, a que mostra quais os candidatos estão mais bem colocados, pois isto é notícia, não por maldade ou displicência é dado pouca divulgação ou destaque a parte descritiva. É exatamente por esta opção que ocorrem as surpresas. Segundo pesquisa Datafolha de 15/09 a pedido da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o medo da violência política atinge 67% da população.
Este dado justifica o fato de nas pesquisas deste mês, na opção espontânea, quando não e apresentado ao pesquisado qualquer nome de candidato, o número de pesquisados que não sabem e não respondeu ser de 45%, ou seja, quase a metade do universo pesquisado, índice superior a aceitação do primeiro colocado.
A eleição está polarizada, assassinatos, agressões, discursões e até mesmo divisão em família são amplamente divulgadas pela mídia. A tudo isto a sociedade mineira vem assistindo e para aqueles que não conhecem o jeito mineiro de ser, pensam que as eleições estão decididas. O agressivo comportamento, principalmente da direita, nas ruas, nos templos religiosos e nas redes sociais, não tenham dúvida, estão sendo observado atentamente pela população, que vai pronunciar-se na hora certa.

