Por Marco Aurelio Carone

Por falta de investimentos, as estatais mineiras Cemig e Copasa não cumprem suas reais finalidades, determinadas por Lei, de entregar ao povo mineiro um serviço universalizado e de qualidade.

Os municípios com menos recursos e aglomerados das grandes cidades vivem condições de saneamento sub-humanas, outros aguardam anos pelo aumento de carga, em suas redes elétricas para expandir o atendimento da população e instalação de distritos industriais.

A política de distribuição de dividendos adotada pelas empresas estatais é tão escandalosa que chamou a atenção do mundo. Tanto que a Black Rock – conhecida por só investir em ações grandes pagadoras de dividendos – a maior gestora do mundo, acaba de comunicar a Copasa e a Cemig o aumento de sua participação acionária nas empresas.

Na Cemig que pagou mais de R$ 3,5 bilhões de dividendos em três anos:

Que em 18/08/2022, suas participações, de forma agregada, passaram a deter 10,01% do capital total da Companhia, sendo 130.673.213 ações preferenciais e 89.646.470 American Depositary Receipts (“ADRs”) representativos de 89.646.470 ações preferenciais, totalizando 220.319.683(15,03%) ações preferenciais, e 7.132.427 instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações preferenciais (PN) com liquidação financeira, representando aproximadamente 0,487% do total de ações preferenciais de emissão da Companhia”.

Na Copasa, onde os dividendos pagos nos últimos três anos chegam a quase R$ 2 bilhões.

“A Black Rock, Inc. (“Black Rock”) vem, em nome de alguns de seus clientes, na qualidadede administrador de investimentos, informar que adquiriu ações ordinárias emitidas pelaCompanhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG (“Companhia”), sendo que,em 10 de agosto de 2022, suas participações, de forma agregada, passaram a ser de19.063.972 ações ordinárias representando aproximadamente 5,01% do total de ações ordinárias de emissão da Companhia e 4.832.936 instrumentos financeiros derivativos referenciados emações ordinárias com liquidação financeira, representando aproximadamente 1,27% do total de ações ordinárias emitidas pela Companhia”.


O pagamento de dividendos tem sido a prioridade do atual governo, descapitalizando as empresas, sem que haja qualquer reação dos órgãos fiscalizadores, passando a impressão de concordarem com o que está sendo feito, desde que seus autos proventos estejam sendo pago. Enquanto isto o consumidor que paga a conta e necessita do serviço fica refém. Será o fim do modelo representativo? Tudo indica que sim, está claro para sociedade que aqueles que escolhem para os representar e defenderem, ao assumirem seus cargos defendem apenas seus interesses pessoais.