O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou um momento de tensão durante o julgamento do “núcleo três” da trama golpista, nesta quarta-feira, ao questionar provas apresentadas pela defesa do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, integrante do grupo de elite do Exército conhecido como “kids pretos”. O julgamento ocorre na Primeira Turma da Corte, que analisa a participação de militares e agentes de segurança no plano que previa o sequestro e o assassinato do próprio ministro.

Durante a sustentação oral, o advogado Jeffrey Chiquini apresentou imagens para sustentar que Azevedo não estava em Brasília no dia da operação. Segundo o defensor, as fotos mostravam o militar comemorando o aniversário com amigos em Goiânia, na véspera da ação. Moraes, no entanto, ironizou o argumento. “O senhor juntou foto de um dia antes do aniversário, jantando com os amigos. O senhor não teria uma foto do dia do aniversário dele? Porque todos nós tiramos foto no dia do nosso aniversário”, questionou o ministro, em tom crítico.

Chiquini respondeu que as fotos apresentadas foram extraídas do celular do próprio réu, apreendido pela Polícia Federal. Diante disso, Moraes retrucou: “Não haveria nenhuma foto no celular da mulher?”. O advogado reagiu pedindo que fosse disponibilizado o laudo completo do aparelho, afirmando que não teve acesso às provas colhidas. “Eu não tenho o laudo. Estou buscando a prova diabólica. Que processo é esse? O delegado tem o telefone do réu nas mãos. Isso não aconteceu nem na Lava Jato. Cadê o laudo do celular dele?”, protestou o defensor.

De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal, Azevedo teria participado da operação clandestina batizada de “Copa 2022”, que planejava prender e executar o ministro Moraes. Um dos aparelhos telefônicos usados na ação foi vinculado ao nome do militar quatorze dias após o episódio.

O tenente-coronel, contudo, afirmou que não estava com o celular até o fim de dezembro e que encontrou o equipamento em uma caixa com aparelhos antigos usados em missões do Comando de Operações Especiais do Exército, em Goiânia, onde funciona o batalhão dos “kids pretos”.

Foto: Rosinei Coutinho/STF


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